A pouco mais de um mês das eleições municipais que irão eleger vereadores e prefeito em todo o País, com exceção do Distrito Federal, onde não haverá eleições municipais. Vários segmentos da sociedade se organizam para eleger seus representantes no dia 5 de outubro de 2008.

O ribeirão-pretano também estará indo às urnas para exercer o mais puro ato de cidadania que é o direito de votar.

É através dessa escolha que surgirá o verdadeiro e legítimo representante do povo para ocupar os citados cargos, por um período pré-definido de quatro anos de governo com direito a reeleição.

Os evangélicos também se organizam para eleger os candidatos que os representarão no legislativo. A atual Câmara Municipal de Ribeirão Preto conta com três vereadores evangélicos; Wandeir Silva, Cícero Gomes da Silva e Samuel Zanferdini – todos do PMDB. Esse número pode aumentar ou diminuir, no pleito de 1º de outubro.

Segundo estimativas, a cidade tem cerca de 50 mil evangélicos, um eleitorado com capacidade para eleger com tranqüilidade, segundo alguns líderes, pelo menos quatro ou cinco vereadores e decidir na eleição de prefeito.

No entanto, por trás dessa aparência favorável, existem algumas enormes pedras no caminho, que podem fazer a diferença na hora final. Primeiro a divisão natural que há entre algumas denominações evangélicas. Depois, os interesses de alguns líderes. E o número elástico de candidatos evangélicos, o maior da história – cerca 25 nomes pleiteiam uma vaga no legislativo – é outra dificuldade. Em algumas igrejas existem mais de três candidatos.

Outro impedimento, é que apesar da maioria das igrejas apoiarem candidatos ligados ao segmento doutrinário, existe aquelas que apóiam candidatos de outras religiões como: católicos e espíritas, o que resulta em uma pulverização dos votos entres elas.

Para o pastor e ex-presidente do Conselho de Pastores, Anésio Massuia – Comunidade Esmirna – os partidos usam alguns membros no intuito de diluir os votos dos evangélicos, “Alguns se deixam ser usados pelos partidos políticos, esses sabem que aquela pessoa não tem condição de ser eleita, mas pode tirar centenas de votos, junto a amigos, parentes e assim enfraquecer aqueles que têm possibilidades de se elegerem”. No entanto, o pastor acredita na capacidade de discernimento que a igreja possui, “Agora não é hora de votar em parentes, amigos, mas em quem tem capacidade” afirma o pastor.

Segundo Massuia esses postulantes são iludidos, “Os partidos enchem essa pessoa de ilusão, elas acreditam e perdem tempo, gastam dinheiro e uns chegam a ficar frustrados e até se revoltam contra irmãos, igrejas e mudam de cidade”.

De acordo com o pastor Paulo Sérgio – Igreja Missionária Unida – que tem dois candidatos na igreja, apesar de saudável e democrático, o número excessivo de pleiteante pode prejudicar quem já presta excelentes serviços à igreja e a cidade, além de minar as chances reais de quem pode entrar e realizar um bom trabalho, “Esses candidatos precisam fazer o inverso, ou seja, buscar votos fora da igreja, deve apresentar as atividades que tem desenvolvido e as propostas de trabalho em beneficio da cidade”.

Para o pastor Danilo Figueira – Comunidade Cristã de Ribeirão Preto – que também tem uma candidata na igreja, o momento é especial e chama atenção para o fato que em alguns casos eleger evangélico é mais prejudicial que benéfico à igreja, “Nessas ocasiões, é preciso discernimento, jogar sal nas fontes, não basta termos candidatos evangélicos, a história recente nos mostra que às vezes é mais vergonha que benefício, o que precisamos é conhecer a vida das pessoas, o testemunho, a consistência da fé e mais do que isso, pois, ser bom cristão é obrigação, agora, ser político precisa algo mais, uma história de serviço” argumentou o pastor.

Segundo ele o importante é ter representantes que tenha ética e princípios, “Bom seria que tivéssemos só evangélicos na Câmara, mas quando isso não é possível, devemos orar por àqueles que têm uma história de moral de preparo” concluiu o pastor.

Fonte: Jornal A Hora Online