O senador evangélico Magno Malta (PR), depois de ter anunciado renunciar caso o PL 122 fosse aprovado, recebeu o apoio do vereador transexual do mesmo partido Moacir Selia.

Na semana passada, o senador Magno Malta (PR) anunciou que abriria mão do mandato caso “a criação de um terceiro sexo” fosse aprovada. Malta fez essa afirmação em referência ao projeto de lei 122, que criminaliza a discriminação motivada só pela orientação sexual ou identidade de gênero.

No material disponibilizado no site do senador encontra-se a seguinte declaração: “Em defesa dos valores agregados no coração da família brasileira, renunciarei meu mandato se o PL 122 for aprovada”.

Apesar de ser uma posição radical que incomodou a muitos, principalmente do grupo de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais (LGBT), o vereador transexual “Moa”, como é chamado, saiu em defesa do colega partidário.

“Ele me respeita como eu sou. A forma que ele tem de ver o mundo é uma, a minha é outra, mas a convivência é feita com muito respeito”, afirmou ele segundo a Gazeta.

De acordo com a publicação, Moa, além de afirmar que as declarações de Magno não são ofensivas, disse também que o senador republicano é vítima de preconceito da sociedade e, principalmente, da comunidade LGBT.

“Os movimentos o discriminam muito mais. Apesar de estar na luta desde 1980 com minha transexualidade assumida, sofro discriminação dentro do grupo LGBT, só pelo fato de eu ser filiada ao PR”, disse Moa.

Magno Malta, através de sua assessoria de imprensa, declarou que Moa “é um travesti de muito respeito”. O vereador, que tem seu comportamento assumido há três anos, falou ainda que “ele [Magno Malta] já esteve” em sua casa e que “teve a oportunidade de conhecer um lar comandado por uma transexual”.

Na mesma entrevista Moa, o único transexual do Espírito Santo, criticou a decisão presidente Dilma Rousseff (PT) de cancelamento dos Kits contra homofobia nas escolas.

“Se a presidente Dilma tivesse vetado antes do caso Palocci, mostrando fundamentos, a comunidade LGBT teria ficado ao lado dela. Da forma com que aconteceu, vejo que Dilma virou as costas e ‘deu um tapa’ na cara de toda a categoria. Como ela só viu que havia algo errado agora?”

Alguns colegas de partido do senador Magno Malta apoiaram sua atitude, enquanto outros alegam que sua atitude foi somente porque ele, durante as articulações, já teria recebido algum sinal de que o projeto de lei não sairá do papel.

“Talvez o senador tenha tanta certeza de que esse projeto não será aprovado que fez essa proposta. Para dizer uma coisa dessas, é preciso ter muita certeza de que a coisa não vai dar certo”, sugeriu o deputado estadual José Esmeraldo (PR).

O Paulo Antenor, primeiro suplente de Magno, saiu em defesa do senador. “Serei o primeiro a defender que Magno não renuncie. Quero muito ser senador, mas não deste modo”, finalizou.

[b]Fonte: The Christian Post[/b]