Iraquianos que servem a Deus procuram uma maneira de reconstruir suas vidas em meio a um ambiente de tensão, no qual o país está mergulhado há anos, que agrava a hostilidade contra os cristãos. Através de seus projetos, a Portas Abertas os ajuda a restaurar o mais importante de todo esse contexto: eles mesmos, suas vidas e sentimentos

Sequestros, ataques direcionados, ameaças: a perseguição aos cristãos tem provocado a fuga de fiéis, em grande número, para a região do Curdistão, no Iraque. Mas, mesmo nessa região, ainda há uma pressão crescente; eles não querem estar ali, não sentem que aquele é o seu lar.

Os refugiados vêm de outras regiões do mesmo país, Iraque, mas os iraquianos árabes não falam a língua curda e não compartilham da mesma cultura. Eles se esforçam para ganhar a vida no Curdistão, mesmo sentindo falta de suas casas. Eles tiveram de escolher entre a cidade em que cresceram e a segurança de suas próprias vidas: “Eu perdi todas as minhas economias e meu investimento foi completamente abaixo, mas eu não queria chegar ao ponto de abandonar a minha cidade”, compartilhou um dos pais que havia acabado de chegar com sua família.

“No entanto, ultimamente, sofremos ameaças que diziam que militantes contrários aos cristãos iriam me matar, assim como a toda a minha família”, continuou ele. “Disseram que poderiam nos queimar vivos. Tivemos medo a cada noite que passava. Não podíamos mais suportar essa pressão tão intensa. A hostilidade por conta da nossa fé é a principal razão pela qual eu tive de fugir para Erbil [capital do Curdistão]. Eu sou novo aqui.”

Dez anos depois da queda de Saddam Hussein, a paz e a liberdade que os cristãos tanto esperaram, foi somente uma ilusão. Ao invés disso, viveram dez anos de uma guerra que enfraqueceu toda a população. Sentem-se presos em algo do qual não podem fugir: “O trauma e o derramamento de sangue no Iraque nunca termina. É como um filme de série, algum tipo de suspense ou terror”, disse um refugiado, demonstrando visível dor em seus olhos: “Essa situação vai e volta. Eu já perdi muitos dos meus entes queridos por causa disso”.

Com o aumento recente da violência contra os cristãos na região curda, devido ao crescimento do extremismo islâmico, seguidores do cristianismo que antes tinham relativa liberdade, agora veem essa alegria desaparecendo lentamente. É possível ver o trauma escrito em seus rostos: “Parece que eu tenho 45 anos de idade, embora tenha apenas 30. A guerra, o terror e o trauma que enfrentei são as razões do meu envelhecimento precoce”, completou o refugiado que não pôde ser identificado por questões de segurança.

Em uma pequena sala de aula no Curdistão, um grupo destes refugiados reúne-se para o aprendizado de primeiros socorros em situação traumática. Os tecidos ficam estendidos sobre a mesa e, por vezes, um dos participantes pega um, enquanto eles compartilham as histórias que os levaram até ali. Muitos choram por conta de tudo o que já passaram, mas este não é o fim! Com todas as forças, eles querem agarrar suas vidas novamente, ajudar suas famílias e seus amigos a fazerem o mesmo, e tentam de tudo para livrar suas crianças da crueldade que não deveriam ter visto: “Agora, eu percebo o quanto seria diferente se eu tivesse sido aconselhado devido aos traumas que sofri em minha vida”, disse um dos participantes.

O lugar torna-se muito mais animado e divertido quando os alunos, munidos de tesoura e papel colorido, decoram as paredes. O treinamento é uma combinação de colaboração mútua, oração e aprendizagem, mas envolve também a parte prática: “Eu confio e sei que Jesus me ama e me amará por toda a minha vida”, afirma uma mulher, mostrando a obra de arte que criou.

Os participantes sentem-se confortados e inspirados a ajudar as pessoas em seu redor utilizando-se do mesmo auxílio que receberam. É apenas um primeiro passo na reconstrução de suas vidas, mas eles estão determinados a crescer: “Eu nunca poderei retribuir a ajuda que a Portas Abertas nos deu com esse treinamento. É tão importante participar deste seminário!”, concluiu outro cristão.

Na Classificação de países por perseguição, o Iraque foi considerado a 4ª nação mais opressora aos cristãos. Após a invasão dos Estados Unidos em seu território, o número de igrejas cristãs no Iraque caiu drasticamente.

[b]Fonte: Portas Abertas Internacional[/b]