O desenvolvimento de pesquisas sobre o uso de louvor nos templos tem crescido consideravelmente. Este avanço é fruto de pessoas que dedicam suas vidas à análises extensas sobre a importância da música para adorar a Deus.

Um exemplo desse empenho está refletido na vida da escritora Denise Frederico, doutora em teologia e mestre em Música pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Os ensinamentos da especialista vão muito além de simples explicações sobre harmonia e composição. Essa é uma das formas que podem fazer justiça a sua última obra “A Música na Igreja Evangélica Brasileira” (foto), lançado recentemente pelo MK Editora. O livro contem mais de 280 páginas, com uma abordagem aprofundada sobre a história, razão, formatos, composição e uso de louvores nos cultos.

Ao todo, a obra contém cinco partes subdivididas em 15 capítulos, mais alguns anexos de conclusão. A primeira é dedicada a “Música no Culto Cristão”, que possui dois capítulos, sendo um dedicado à conceituação de ‘culto a Cristo’ e o outro na perspectiva de teólogos e músicos cristãos. A segunda parte já é bem mais extensa e se alonga dos capítulos 3 ao 7. Ela trata da base bíblica do assunto, passando para os conceitos de música sacra e música profana, congregacional e a música de performance. No final, ainda traz um estudo sobre os instrumentos musicais, separados por suas famílias.

A parte 3, dos capítulos 8 ao 10, estuda “A Realidade Litúrgica das Igrejas Protestantes no Brasil”. Ou seja, o leitor terá uma análise do que tem sido realizado em matéria de liturgia nas igrejas protestantes brasileiras. Ela aborda ainda a atuação dos músicos de igreja e o uso da dança, ou coreografia, como linguagem artística, além da questão da “emoção”.

A obra segue com uma descrição sobre o embate da música tradicional, com estilos musicais contemporâneos, a partir da quarta parte, nos capítulos 11, 12 e 13. A especialista examina o panorama atual dos hinos e cânticos. Por fim, a parte 5, nos capítulos 14 e 15, conforme descreve a própria Denise Frederico, oferece “subsídios para temas, ou conteúdos de letras de cânticos, que parecem esquecidos dos poetas e compositores e que, no entanto, são importantes para a atualização da linguagem usada pelos adoradores de Deus em nossa época atual”.

Entre alguns destaques ressaltados pela especialista está a observação de que o culto deve ser guiado por uma consciência clara de que ele é dedicado apenas a Deus. “Culto é o encontro de Deus com a comunidade cristã. Esta é uma definição curta e clara acerca do culto já difundida no meio cristão. Tal conceito tem sua base bíblica em Mateus 18:20. ‘Pois onde se reunirem dois ou três em meu nome, ali eu estou no meio deles’. O convite vem de Deus. Por essa razão, tem-se certeza de que o culto pode ser feito, pois Deus, Aquele que convida, não vai faltar. Durante algum tempo pensou-se que, no culto, as pessoas eram os protagonistas da ação, como se tudo se passasse tal como no teatro. Foi necessária a intervenção do filósofo-teólogo dinamarquês Soren Kierkegaard para que se entendesse com exatidão o assunto. Ele comparou o culto a um drama. Neste drama, a congregação forma o corpo de atores; o coro, solista, instrumentistas são os ‘pontos’ e Deus é a platéia. É preciso notar que a congregação não é a platéia (como às vezes parece), mas, sim, Deus. O culto é dirigido a Deus, e somente Ele deve ser a razão do encontro para o culto”, enfatiza.

Outra observação importante de Denise diz respeito à primeira missão da Igreja. “A principal missão da igreja é adorar a Deus, embora em algumas escolas teológicas seja ensinado que a missão primeira da igreja é a evangelização. Os termos hebraicos para adoração significam ‘curvar-se’, ou, ainda, são derivados de palavra que tem a mesma raiz do termo usado para designar escravo. Adorar a Deus, entre os judeus, significava, portanto, servir a Deus. Diferentemente de tradições orientais de adoração, não era um ato místico, mas, sim, um ato da razão, com consciência plena da escolha”, ressalta.

Além disso, a especialista lembra que a adoração a Deus jamais pode ser vista como um momento de divertimento, mas de reverência. “Adorar a Deus não é um momento de entretenimento, embora, atualmente, muitas vezes o ‘clima’ leve as pessoas a se sentirem mais propensas à diversão do que à adoração. O ambiente de adoração verdadeira deve levar o crente a ter consciência de seus pecados. A visão de Isaías, narrada em seu capítulo 6, afirma que o profeta se deu conta de sua impureza diante da santidade de Deus; em razão dessa visão, sentiu a necessidade de se arrepender e modificar suas atitudes, que não condiziam com a santidade de Deus, que o convocava para a missão e o serviço. Quando ocorre essa percepção (santidade e serviço), então se concebe o exato sentido de ‘louvor e adoração’”, analisa.

Fonte: Elnet