O debate sobre o casamento gay na Argentina gerou uma batalha retórica entre a Igreja Católica e o governo da presidente Cristina Kirchner, que defende projeto de lei que prevê o matrimônio entre pessoas do mesmo sexo.

Já aprovado pela Câmara dos Deputados em maio, o projeto será votado pelo Senado depois de amanhã e tem como ponto mais polêmico o artigo que também autorizaria a adoção.

No final de semana, a presidente fez sua primeira declaração explícita em favor do casamento gay e disse que seria “feio se as maiorias negassem direitos às minorias”. Também pressionou parlamentares aliados a aprovar o texto.

A igreja acusa o governo de usar o aparato do Estado em uma “guerra cultural” contra a essência cristã do país, e o cardeal Jorge Bergoglio convocou os fiéis a uma marcha contra o projeto na véspera da votação. Cerca de 75% dos argentinos se dizem católicos.

O resultado é considerado imprevisível: os blocos políticos estão divididos internamente. Muitos senadores se dizem indecisos e têm receio de perder eleitores ao expor suas opiniões.

Fonte: Folha de São Paulo