O medo da bruxaria faz com que muitos cristãos, na África, sejam desprezados e tidos como supersticiosos. A bruxaria é real e está destruindo a Igreja, advertem especialistas católicos.

Os estudantes da Universidade Católica da África Oriental (CUEA, das iniciais em inglês) afirmam que a Igreja continua ignorando “as artes negras”, informa a agência CISA. Num congresso de três dias, realizado em Nairóbi, sobre o tema “Desafios da bruxaria”, garantiram que os cristãos consultam adivinhos e magos, à procura de soluções que a Igreja e a ciência parecem não ter.

A situação leva os cristãos a serem considerados como supersticiosos e deixados sem ajuda. Abandonados pelos agentes pastorais, eles recorrem aos feiticeiros ou aderem às Igrejas evangélicas de diversas denominações, que oferecem “curas” e “exorcismos libertadores”.

“Na perspectiva africana, o Cristianismo parece não ter respostas para essas questões” _ afirmou o professor de Teologia Pastoral, da CUEA, Michael Katola. A Igreja demonizou os peritos tradicionais, os adivinhos e os agentes da Medicina tradicional, mas não ofereceu alternativas equivalentes. “Temos muitos cristãos que consultam os homens da sorte, quando dão início a um projeto ou quando enfrentam problemas” _ revelou o professor.

“Os africanos não são mais supersticiosos que os outros povos. A Igreja é que ainda não se pôs de acordo sobre a mentalidade africana, no que concerne à existência de poderes do mal.”

Segundo Ir. Bibiana Munini, os cristãos visitam adivinhos e magos, para encontrar soluções práticas para seus problemas, porque a Igreja não deu atenção às curas integrais.

Para o Prof. Katola, a responsabilidade de combater a bruxaria compete ao clero, que deveria começar por aceitar a existência desse fenômeno. “Se não aceitarmos a existência do satanismo, não poderemos combatê-lo” _ argumentou.

Fonte: Rádio Vaticano