O debate sobre o uso do véu muçulmano ressurgiu na Bélgica em plena campanha para as eleições legislativas do dia 10, com vários casos nos quais escolas e órgãos públicos proibiram ou estudam impedir a utilização da peça.

A proibição dos símbolos religiosos, ideológicos e políticos na administração pública da cidade de Antuérpia transformou o assunto no centro da campanha eleitoral na região de Flandres, no norte do país.

A plataforma de organizações de mulheres belgas de origem estrangeira BOEH! (sigla de “Donas da própria cabeça”) lançou esta semana uma campanha com cartazes. Neles, 21 personalidades famosas exigem que a Prefeitura de Antuérpia retire sua decisão, adotada em janeiro.

A porta-voz da BOEH!, Laila Ekchouchou, explicou à Efe que a proibição, tanto quanto uma obrigação de usar o véu, viola o direito à liberdade de religião e à tomada de decisões pessoais. Além disso, opinou que a norma afeta a emancipação das mulheres.

“A neutralidade é essencial, mas não com base no físico nem na aparência das pessoas”, disse Ekchouchou. Ela lembrou que todos, inclusive os setores mais frágeis da sociedade, têm direito à educação e a um bom trabalho.

Mas a polêmica ultrapassa os limites de Flandres, chegando à Valônia, no sul, e à região-capital de Bruxelas, no centro do país.

Na quinta-feira, a Comunidade Francesa (responsável pela educação francófona em Valônia e Bruxelas) recebeu um pedido de uma legislação proibindo os símbolos religiosos nas escolas.

Na quarta-feira, cerca de 100 alunos do distrito de Forest, ao sul da capital, foram às ruas para protestar contra a decisão da direção de proibir todos os sinais religiosos, entre eles o véu.

No dia seguinte, a imprensa belga repercutiu os planos ainda vagos de fundar em Bruxelas uma escola islâmica para meninas na qual, obviamente, seria permitido usar véu.

A modificação do regulamento de trabalho da administração de Bruxelas, com uma possível proibição de todos os sinais aparentes de vinculação a um grupo religioso ou ideológico, ajudou a levar o debate ao primeiro plano da campanha eleitoral, que ainda está morna.

Os políticos descobriram uma oportunidade excelente para buscar votos num país onde os marroquinos são o maior grupo de imigrantes.

Os ecologistas do Groen! e os ultradireitistas do Vlaams Belang aproveitam a oportunidade para enfatizar seus pontos de vista contra e a favor da proibição.

O partido socialista flamengo SP.A, um dos que apresentaram mais mulheres de origem estrangeira como candidatas nos últimos anos, pode ser um dos mais prejudicados pela decisão da Prefeitura de Antuérpia.

Segundo a porta-voz da BOEH!, a discussão vai além do véu. O tema principal é a integração dos imigrantes e a discriminação que muitas vezes eles sofrem.

“Queremos uma sociedade aberta e diversificada, da qual todos podem participar”, resumiu Ekchouchou.

Fonte: EFE