O Vaticano criticou a sentença da Justiça italiana sobre o caso de Eluana Englaro, em coma irreversível há 15 anos, e disse ser “inaceitável o relativismo dos valores, sobretudo quando estes se referem à conservação da vida”.

“Do Tribunal Supremo sai uma sentença orientada ao relativismo”, diz a manchete de hoje do jornal da Santa Sé, “L’Osservatore Romano”, comentando a decisão do alto tribunal italiano que ontem ordenou a repetição do julgamento que negou a suspensão da alimentação assistida que mantém viva Eluana Englaro, como pede seu pai.

O Supremo aceitou o recurso do pai de Eluana, Beppino Englaro, que há mais de dez anos trava uma batalha legal na qual pede que se deixe sua filha morrer.

Englaro recorreu perante o Supremo, depois que o Tribunal de Apelações de Milão negou essa possibilidade.

Ontem, o Supremo sentenciou que a interrupção da alimentação só pode ser autorizada na presença de duas circunstâncias: que se prove que se trata de um estado vegetativo irreversível, e que se comprove que Eluana, no caso de poder escolher, teria preferido não continuar o tratamento.

Segundo o Vaticano, nenhum especialista pode, no estado atual, declarar a irreversibilidade das condições de estado vegetativo.

“É inaceitável o relativismo de valores, sobretudo se estes se referem à conservação ou não da vida”, escreve o diário da Santa Sé.

O caso de Eluana Englaro, em estado neurovegetativo irreversível desde que sofreu um acidente de trânsito em 1992, vem sendo comparado na Itália com o da jovem americana Terry Schiavo, que faleceu depois que um Tribunal decidiu pelo desligamento da sonda alimentícia que a mantinha viva, como pedia seu marido.

“Desligai as máquinas, deixai morrer minha filha, tende um pouco de dignidade”, vem repetindo Beppino Englaro, que escreveu a todas as autoridades italianas pedindo que acabem com a agonia de Eluana e de todas as demais pessoas que se encontram nesta mesma situação.

Fonte: EFE