O arcebispo polonês Jozef Wesolowski foi considerado culpado das acusações de pedofilia e terá que deixar a Igreja Católica.

Os casos de pedofilia aconteceram quando Wesolowski serviu como núncio do Vaticano – cargo equivalente a embaixador– na República Dominicana. Ele viveu no país entre janeiro de 2008 e agosto de 2013.

“A Congregação para a Doutrina da Fé condenou à demissão de sua função clerical o ex-núncio apostólico na República Dominicana, Josef Wesolowski”, indica um comunicado do Vaticano desta sexta-feira (27).

“O acusado tem dois meses para apelar da decisão”, afirma o comunicado.

Após o fim do processo canônico –segundo as leis da igreja–, ele deverá ainda enfrentar um processo criminal justiça vaticana por ser cidadão do Vaticano.

Se for considerado culpado, Wesolowski corre o risco de extradição para a República Dominicana, país que também investiga Wesolowski, embora não o tenha acusado.

Esse será o primeiro julgamento por abusos sexuais no Vaticano após as emendas no código penal da Santa Sé implementadas no ano passado.

No ano passado, as leis do Vaticano foram intensificadas punindo com até 12 anos de prisão os atos sexuais com crianças, a prostituição e a pornografia infantil.

[b]COMBATE À PEDOFILIA
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A expulsão acontece seis meses depois de o Comitê sobre os Direitos da Criança da ONU ter apresentado o caso Wesolowski como exemplo da falta de iniciativa do Vaticano para resolver os episódios em que padres abusam de menores.

Há uma década a Igreja Católica enfrenta inúmeros escândalos de abusos sexuais contra menores por parte de seus religiosos em várias partes do mundo.

Em janeiro, a ONU criticou duramente a Igreja por não castigar com a devida contundência a pedofilia e, inclusive, acobertar os casos.

As autoridades vaticanas informaram no início do ano, em uma reunião com a ONU, que os fiscais do Código de Direito Canônico haviam tratado de 3.420 casos de abusos sexuais com menores na última década.

Desses julgamentos, 848 padres foram obrigados a largar a batina e os 2.572 restantes tiveram de optar por “uma vida de oração e penitência” em um mosteiro.

O papa Francisco prometeu acabar com os abusos na Igreja Católica e reiterou, como seus antecessores, que haveria tolerância zero.

Wesolowski foi ordenado em 1972 pelo arcebispo de Cracóvia, o cardeal Karol Wojtyla, que posteriormente foi proclamado papa João Paulo II.

[b]Fonte: Folha de São Paulo[/b]