Homens armados enfrentaram na terça-feira as forças iraquianas perto de duas das mesquitas mais sagradas para os xiitas na cidade de Kerbala, onde centenas de milhares de peregrinos participam de uma festividade.

Uma importante fonte de segurança em Bagdá disse que 25 pessoas foram mortas, na maioria policiais. Um funcionário do hospital Al Hussein, de Kerbala, afirmou ter recebido oito cadáveres e 29 feridos.

Jornalistas da Reuters na cidade, que fica a 110 quilômetros ao sul de Bagdá, viram colunas de fumaça se erguendo no centro da cidade. A polícia disse que vários carros foram queimados.

Também era possível ouvir o intenso ruído de disparos de armas e granadas de propulsão. Aviões dos EUA sobrevoavam a área. A fonte de segurança em Bagdá disse haver 65 feridos.

“Estou escondido numa loja. Posso ouvir os disparos. A situação está muito instável, e o Exército e comandos da polícia iraquiana foram deslocados para as ruas e os telhados”, relatou um peregrino, pedindo anonimato.

O centro velho de Kerbala, onde ficam as mesquitas, está sob toque de recolher.

Os combates parecem opor peregrinos armados leais ao clérigo xiita Moqtada Al Sadr e policiais locais ligados a um movimento político rival, o Conselho Supremo Iraquiano Islâmico e sua Organização Badr.

As duas facções, que são os principais blocos da maioria xiita no Parlamento, disputam o controle de cidades e aldeias no sul do Iraque, área predominantemente xiita. Em muitos desses lugares, a polícia é vista como uma extensão da milícia Badr.

Analistas temem que essa disputa de poder se intensifique antes das eleições provinciais previstas para o ano que vem.

Os combates em Kerbala, uma das cidades mais estáveis do país, é mais um constrangimento para o primeiro-ministro Nuri Al Maliki, um xiita que precisa provar que suas forças estão aptas a substituírem as tropas de ocupação.

Um de seus vices, o curdo Barham Salih, alertou na noite de segunda-feira em entrevista à Reuters que uma retirada precipitada das forças norte-americanas poderia levar a uma guerra civil. “Será um desastre, não só para o Iraque, mas para a região e a comunidade internacional como um todo”, disse Salih.

“Vai levar a uma guerra civil escancarada, vai levar a uma guerra regional na minha opinião, porque o destino do Iraque é crucial para o equilíbrio regional e a segurança regional”, disse ele.

Os peregrinos estão em Kerbala celebrando o aniversário de Mohammad Al Mahdi, que nasceu no século nono e foi o último dos 12 imãs que os xiitas reverenciam como um santo. Eles acreditam que Al Mahdi nunca morreu e voltará para salvar a humanidade.

Fonte: EFE