Entre 20% e 25% das mulheres européias sofreram violências físicas pelo menos uma vez na vida – um problema que custa caro à sociedade, advertiu nesta quarta-feira o Conselho da Europa, na véspera das comemorações do Dia internacional da Mulher.

De acordo com um estudo realizado em 31 dos 46 países que formam a organização pan-européia, trata-se principalmente de violências sexual e doméstica, infligidas na maioria das vezes por um parceiro ou ex-parceiro.

Mais de um décimo das mulheres sofreram violências sexuais com uso da força, enquanto que 12% a 15% das mulheres foram vítimas da violência doméstica depois dos 16 anos de idade, destaca o estudo.

Trata-se “de uma das formas mais banalizadas de violação da dignidade humana”, consideraram Thomas Hammerberg, comissário europeu para os Direitos Humanos, e René van der Linden, presidente da assembléia parlamentar do Conselho da Europa, em comunicado publicado nesta quarta-feira. A ONU escolheu como tema para o Dia Internacional da Mulher “acabar com a a impunidade da violência praticada contra as mulheres”.

As “perseguições” em geral, que incluem o assédio sexual, são ainda mais freqüentes – atingem 45% das mulheres.

No entanto, o estudo também analisa, pela primeira vez, o custo elevado dessas violências para a sociedade.

Os sofrimentos morais infligidos às vítimas são dificilmente quantificáveis, mesmo se as mulheres violentadas são, segundo o estudo, mais expostas ao risco de dependência da nicotina, do álcool ou das drogas. Elas também cometem cinco vezes mais tentativas de suicídios e recorrem quatro a cinco vezes mais aos cuidados psiquiátricos que as outras mulheres.

As crianças que testemunharam violências conjugais têm uma probabilidade maior de repetir esses atos contra seus parceiros e parceiras na idade adulta.

O custo total da violência doméstica foi estimado, em 2004, em 34 bilhões de euros na Grã-Bretanha, sendo 25 bilhões de euros para os sofimentos físicos e morais, ou seja, 555 euros por habitante e por ano.

Na Espanha, este custo foi avaliado em 2,4 bilhões de euros para o estado, ou seja, 60 euros por habitante, segundo um cálculo feito em 2003.

Na Suíça, a violência doméstica custava 35 euros por habitante em 1999.

“O custo da violência é enorme, sendo geralmente subestimado”, alertou Martha Requena, responsável pela divisão Igualdade do Conselho da Europa. Por exemplo, não leva em conta as perdas infligidas aos empregadores, em termos de produtividade ou de licenças médicas tiradas pelas vítimas.

Mesmo se a maioria dos países europeus se esforçaram em melhorar sua legislação (a Espanha aprovou uma lei pioneira neste sentido em 2004), “pouquíssimas vítimas recorrem à justiça, e menos ainda conseguem uma condenação”, lamentou o Conselho da Europa, que lançou em novembro passado uma campanha européia para combater a violência doméstica.

Fonte: AFP