Uma viúva morreu depois de se jogar sobre a pira funerária de seu marido no estado de Madhya Pradesh, no centro da Índia, informou hoje a agência de notícias “PTI”.

Foi o segundo caso em um mês de suicídio cometido de acordo com uma tradição proibida por lei.

Segundo fontes policiais, o novo caso de “sati” (imolação de uma viúva na pira funerária do marido) aconteceu ontem na localidade de Baniyani, no distrito de Chhatarpur. Uma mulher de 95 anos, Kuria se lançou à fogueira em que ardia o corpo de seu marido, Siaram Rajput, que havia morrido um dia antes.

Os quatro filhos de Kuria foram detidos pela Polícia. Eles são acusados de assassinato, conforme a Lei de Prevenção do Sati, informou o administrador do distrito, Ajatshatru Shrivastava, que foi ao local para supervisionar a abertura de uma investigação.

Outras pessoas que assistiram ao funeral também foram detidas por incitar a mulher a se imolar, informou o inspetor geral da Polícia, Swarn Singh.

Vários moradores da localidade se manifestaram nas ruas exigindo a construção no local de um “templo de sati”, por considerar o ato sagrado.

O sati, uma prática do Hinduismo com mais de 700 anos de tradição, normalmente é incentivado pela família do marido. O sacrifício é proibido na Índia desde 1829 e considerado praticamente extinto. Mas ainda se registram alguns casos isolados.

A lei prevê até a pena de morte para quem, direta ou indiretamente, estimular, aplaudir ou festejar o ritual.

Em 22 de agosto, Janakrani, uma mulher de 45 anos, cometeu sati no povoado de Tulsipur, também no estado de Madhya Pradesh. Ela se lançou à fogueira de noite, quando não havia mais ninguém no local.

Por isso, a Polícia não pôde acusar ninguém, mesmo admitindo a dificuldade de demonstrar se foi um suicídio voluntário ou se a viúva se viu forçada pela sociedade e pela família.

As organizações de defesa da mulher dizem que a idéia que justifica o sati é que o valor das mulheres depende dos homens. A continuidade da prática, afirmam, é uma prova da discriminação da mulher na Índia.

Fonte: EFE