Líderes de grupos evangélicos divulgaram um manifesto nesta segunda-feira (22) em apoio a candidatura de Fernando Haddad (PT), que disputa o segundo turno da Prefeitura de São Paulo com José Serra (PSDB).

O candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, recebeu nesta segunda-feira o apoio de 20 líderes religiosos ligados a 11 igrejas e nove entidades evangélicas da capital paulista, que se comprometeram a pedir votos para o petista até o próximo domingo, quando ele enfrenta José Serra (PSDB) no segundo turno da disputa. No encontro, o candidato do PT recebeu um manifesto que defendia, entre outras coisas, a “liberdade para todas as crenças” na cidade, a manutenção de uma administração laica e o fim das “perseguições e clima de medo”, segundo eles, gerado pela aplicação incorreta e “arbitrária” da ‘lei do Psiu’ na gestão atual.

“Eu penso que é um gesto importante, sobretudo em um momento em que as campanhas políticas às vezes querem derrapar nessa questão (religiosa)”, disse Haddad, que negou que irá flexibilizar a aplicação da lei do silêncio urbano na capital paulista, mas que se comprometeu a verificar se, de fato, a lei tem sido aplicada de modo “arbitrário”, caso seja eleito.

O apoio surge dias após o pastor Silas Malafaia, da igreja Associação Vitória em Cristo, declarar apoio a José Serra e publicar vídeos em que ataca Haddad devido à elaboração do kit anti-homofobia em sua gestão como ministro da Educação. Segundo Haddad, os líderes religiosos se “solidarizaram” contra os ataques de Malafaia, que chegou a declarar que “arrebentaria” com ele durante a campanha.

“Houve uma reação aos modos e aos termos que o pastor (Silas Malafaia) utilizou para se referir à minha pessoa. Inclusive é uma pessoa que nem é de São Paulo, então houve uma manifestação de solidariedade, de dizer que não é assim. Não tem ninguém aqui ofendendo o candidato adversário, ninguém veio aqui com esse intuito. (…) Nós temos que elevar o debate, a nossa relação com a religião tem que ser aquela prevista em Constituição”, afirmou o candidato petista.

O manifesto foi assinado por líderes ligados a vários ministérios da Igreja Assembleia de Deus, além da Convenção Batista Brasileira do Município de São Paulo; Convenção das Igrejas Pentecostais de São Paulo; Igrejas Comunidades Evangélicas Pão da Vida; Igreja Evangélica Irmãos Menonitas; Igreja Presbiteriana; entre outras entidades evangélicas.
Entre os líderes que declararam apoio a Haddad estava o pastor Renato Galdino, da Assembleia de Deus de Santo Amaro, que no primeiro turno apoiou o candidato do PRB, Celso Russomanno, para quem chegou a confeccionar e distribuir material de campanha. Galdino negou que o apoio seja uma ofensiva contra Malafaia, mas disse que o pastor não deveria colocar o “bico” em São Paulo.

“O pastor Silas Malafaia precisa entender uma coisa: não colocar o bico em São Paulo. Ele não tem igreja aqui. (…) A questão do kit (anti-homofobia) é uma coisa que a presidenta (sic) Dilma resolveu, gente. É uma questão que o tiro saiu pela culatra”, afirmou o pastor, que disse que irá mobilizar mais de 350 líderes para pedir votos para Haddad. “Não pode pedir votos nos cultos, mas do lado de fora dos templos nós vamos pedir sim”, admitiu.

[b]Líderes evangélicos divulgam manifesto em apoio a Haddad[/b]

O texto lista como motivo do apoio compromissos firmados por Haddad e acusa Serra e o prefeito Gilberto Kassab (PSD) de “perseguição e clima de medo”. O documento foi fechado nesta manhã com comando de campanha do candidato do PT.

Segundo o manifesto, as lideranças religiosas declaram apoio ao petista em virtude de “seus compromissos com princípios que julgamos fundamentais aos evangélicos e ao povo de São Paulo”.

Assinam o documento representantes da Assembleia de Deus Nipo-brasileira, Assembleia de Deus de Santo Amaro, Igreja Paz e Vida, Convenção dos Ministros da Assembleia de Deus do Estado de São Paulo, Convenção Batista e Convenção das Igrejas Pentecostais.

Veja pontos destacados do documento:

a) Liberdade para todas as crenças e confissões religiosas;

b) Defesa incondicional do Estado laico, não permitindo o uso das religiões ou do próprio aparelho com propósitos políticos;

c) Manutenção e ampliação de parcerias entre a prefeitura e as entidades mantidas por instituições religiosas com o objetivo de atender a demandas sociais;

d) Promoção de políticas públicas de inclusão social que asseguram a dignidade e o bem estar das famílias;

e) Fim das perseguições e do clima de medo pelos governos de Serra e Kassab, com a aplicação de multas e até mesmo fechamento de templos, através da aplicação arbitrária da legislação municipal, como a Lei do Psiu.

[b]Fonte: Primeira Edição e Folha de São Paulo[/b]