Após quase quatro meses de prisão, o bispo chinês Julius Jia Zhiguo, da diocese de Zheng Ding, foi libertado na última sexta-feira, mas “voltará em breve à custódia da polícia”, segundo informou a agência AsiaNews.

De acordo com fontes locais, “a família do bispo pediu ao governo que o libertasse, já que seu tio está muito doente e quer vê-lo antes de morrer”. Um representante do governo afirmou que “dentro de poucos dias, o bispo será preso novamente, porque deve freqüentar algumas sessões de estudo”.

O bispo foi preso em 23 de agosto passado por ter retirado uma placa da Associação Patriótica Católica (APC) do muro de uma catedral chinesa.

A APC, controlada pelo Partido Comunista chinês, não é reconhecida pela Santa Sé, mas tenta impor seus próprios bispos nas dioceses do país. Na China, a Igreja Católica, que reconhece a autoridade do Papa e segue as diretrizes do Vaticano, é considerada clandestina pelo governo.

Dom Julius Jia Zhiguo, de 73 anos, passou mais de 15 anos de sua vida na prisão. Desde 1980, quando se tornou bispo da Igreja Católica, o religioso tem sofrido prisões e seqüestros, para que se submeta à APC, que exige sua entrada no Colégio dos Bispos da China, espécie de Conferência Episcopal não reconhecida pela Santa Sé.

Antes de sua prisão, o bispo estava preparando uma carta a seus fiéis, comentando a mensagem do papa Bento XVI aos católicos da China, divulgada em julho passado, na qual o Pontífice pediu “o respeito a uma autêntica liberdade religiosa” e desaprovou a idéia de uma igreja independente do Vaticano.

Fonte: Ansa