O cardeal-arcebispo de São Paulo, d. Odilo Scherer, deu instruções para que o caso das múmias do Mosteiro da Luz fique a cargo dos técnicos e arqueólogos, sob coordenação do Museu de Arte Sacra, sem participação das freiras que vivem na comunidade.

“D. Odilo entende que se trata de processo natural de mumificação e, por isso, a Igreja não fará especulações com base em uma hipótese de que teria havido algum tipo de milagre”, informou o padre Juarez Pedro de Castro, secretário-geral do Vicariato de Comunicação da Arquidiocese.

Com base nas informações levantadas, o cardeal e seus assessores acreditam que o corpo de uma das freiras sepultadas numa das carneiras das paredes do museu resistiu à decomposição por causa do material usado no túmulo – cal ou terra calcária. A Igreja quer evitar que devotos façam romarias ao mosteiro para venerar a freira mumificada. “Não é porque o corpo não se corrompeu que se vai falar em santidade”, adverte.

Além dos quatro livros ou atas em que as freiras escreveram seus diários, estão sendo pesquisados livros do tombo dos arquivos da Arquidiocese de São Paulo, para a identificação dos corpos. Esse trabalho está sendo feito pelo padre Nogueira, que, como capelão, tem acesso aos documentos guardados na clausura.

O segundo corpo, cuja cabeça está inclinada sobre o outro, é uma ossada sem o mesmo estado de conservação. Os dois foram encontrados juntos, por razões desconhecidas. Uma hipótese é que tenha faltado espaço para sepultar as religiosas, por causa de uma epidemia. “Vamos analisar essa hipótese, que foi levantada por um médico, checando a época da epidemia e a ocorrência de mortes no mosteiro”, informou o capelão, que acredita que possa haver outros corpos mumificados no local.

Fonte: Agência Estado

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