O clero irlandês “comparte a raiva” da opinião pública pela forma com que a Igreja Católica lidou com os casos de pedofilia envolvendo alguns de seus membros, declarou neste domingo um de seus altos representantes.

“É compreensível que muitos bons e honestos católicos se sintam confusos e decepcionados após as revelações sobre como os casos foram tratados”, observou Michael Neary, arcebispo de Tuam, onde milhares de peregrinos cumpriram a subida anual da montanha de Croagh em honra a São Patrício, padroeiro do país.

“Muitos estão com raiva e assustados com o que ficaram sabendo. Tais sentimentos são compartilhados pelos sacerdotes, religiosos e também pelos bispos”, destacou.

A Irlanda, um país de maioria católica, se viu horrorizada nos últimos anos diante de uma série de escândalos de abusos sexuais contra menores cometidos por membros do clero, que logo foram protegidos pela hierarquia.

Em 20 de julho, o primeiro-ministro Enda Kenny acusou a Igreja Católica – e ao Vaticano, em particular – de ter colocado obstáculos à investigação de um novo caso de pedofilia após a publicação de um relatório sobre os atos cometidos entre 1996 e 2009 por 19 sacerdotes da diocese de Cloyne, no sul do país.

Tal documento concluiu que a resposta das autoridades católicas irlandesas havia sido “inadequada e inapropriada”.

“A violação e a tortura dos menores foi subestimada ou modificadas para proteger a instituição, seu poder e sua reputação”, acusou Kenny, acrescentando que o relatório deixou claro “a desconexão (com a realidade), o elitismo e o narcisismo que dominam a cultura do Vaticano atualmente”.

Em 25 de julho, logo após Kenny fazer as críticas, o Vaticano decidiu “chamar a consultas” seu núncio apostólico na Irlanda.

[b]Fonte: AFP[/b]