Data foi definida nesta tarde por colégio de cardeais; nesta semana, a disputa pareceu ficar polarizada entre o italiano Angelo Scola e o brasileiro Odilo Scherer.

O Colégio Cardinalício decidiu há pouco que o conclave que vai definir o novo líder da Igreja Católica terá início na terça-feira, 12. Pela manhã, na Basílica de São Pedro, será celebrada a Missa ‘pro eligendo Pontifice’ e na parte da tarde a entrada dos Cardeais na Capela Sistina, para o conclave. A partir disso, podem ocorrer duas votações por dia. Cada um dos 115 cardeais eleitores escreve o nome de seu escolhido na cédula. Após todos votarem, as cédulas começam a ser contadas. Três cardeais fazem o papel de escrutinadores, registrando os votos.

São necessários dois terços dos votos (77) para eleger o novo papa. Se esse total não for alcançado em três dias, a votação será suspensa por um dia para orações. Depois da pausa, serão realizados outros sete dias de votações. Se não houver decisão, depois do 34.º escrutínio, os dois cardeais mais votados vão disputar um segundo turno. Mas mesmo entre eles continuam sendo necessários dois terços dos votos.

As cédulas são queimadas após cada votação num forno especial. Produtos químicos são adicionados para determinar a cor. Se ela for preta, significa que o papa não foi escolhido. Se for branca, é porque a Igreja já tem um novo líder. Essa é a única informação que as pessoas do lado de fora da capela terão sobre o andamento da eleição.

Desde o início do século 20, os conclaves não duraram mais do que cinco dias (que foi o caso da votação de 1922, que elegeu Pio XI). O conclave de João Paulo II, em 1978, durou três dias, e o de Bento XVI, em 2005, somente dois dias.

Não há candidatos oficiais a papa – demonstrar tal ambição e fazer campanha são tabus. Mas pelo menos cinco cardeais têm aparecido entre os mais cotados para ser o sucessor de Bento XVI, que renunciou ao cargo no dia 28 do mês passado.

Nesta semana, a disputa pareceu ficar polarizada entre o italiano Angelo Scola e o brasileiro Odilo Scherer. Scola, de 71 anos, é o arcebispo de Milão, a potência econômica da Itália. Especialista em bioética e nas relações entre cristãos e muçulmanos, é a aposta dos italianos, mas, como Bento XVI, é considerado mais um intelectual que um comunicador carismático.

D. Odilo é arcebispo de São Paulo, a maior diocese do país com o número mais expressivo de católicos no mundo. Aos 63 anos, é considerado o papável mais forte da América Latina. E tem sido apresentado como uma opção fora da Europa, mas como apoio da Cúria Romana.

Outros cardeais que têm aparecido também com destaque é o canadense Marc Ouellet, o ganense Peter Turkson e o húngaro Péter Erdö. Ouellet, de 68 anos, é prefeito da Congregação dos Bispos, presidente da Comissão Pontifícia para a América Latina e um dos principais líderes dentro do Vaticano. Turkson, de 64 anos, é presidente do Conselho Vaticano para a Justiçae a Paz e porta-voz da Igreja em assuntos sociais. Erdö, de 60 anos, é arcebispo de Budapeste e potencial candidato do Leste Europeu.

[b]Fonte: Estadão[/b]