O candidato à Prefeitura do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, afirmou ontem que está naturalmente associado à Igreja Universal, da qual é bispo licenciado, mas pretende governar e ser “um prefeito para todos” porque o “Rio não precisa de um líder religioso nem de uma guerra religiosa, mas de um líder político”.

Em sabatina realizada pelo jornal “O Estado de S. Paulo” no Rio, Marcelo Crivella disse que não renega a Igreja Universal do Reino de Deus, mas que não quer ser visto com um líder religioso.

Esta tem sido a tônica do início de sua campanha no rádio e na TV. O senador afirmou que contratou Duda Mendonça para que o publicitário diminuísse o preconceito que existe contra ele.

Disse que é o candidato “do coração de Lula” e chamou de “fatalidade” o que aconteceu no morro da Providência -militares que estavam ali para cuidar de obras propostas por Crivella entregaram três jovens para serem mortos por traficantes do morro da Mineira.

Repisando o tema da habitação, disse que vai construir 100 mil casas usando, em parte, recursos federais.

‘Posso até ter um evangélico como secretário, mas não será porque é evangélico’

Com tom de missionário religioso na África, onde viveu por dez anos, o senador e candidato a prefeito do Rio Marcelo Crivella (PRB/PR/PSDC/PRTB) acredita ter como desafio vencer o “atraso civilizacional” da cidade. Sabatinado pelo jornal ‘O Estado de S. Paulo’, nesta quinta-feira, o candidato utilizou diversas vezes a expressão, que relembra antigos discursos colonizadores e positivistas.

Para cumprir a missão, Crivella promete distribuir subsídios para a construção de casas populares, em terrenos federais às margens da Avenida Brasil e dos trilhos da Supervia, e até para a recuperação dos clubes de futebol.

Bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus, o evangélico prometeu que a política municipal não sofrerá influência de sua religião. Na próxima semana, ele anunciará os principais nomes do seu secretariado, caso seja eleito.

– Peço compreensão dos membros da minha Igreja, mas não chamarei nenhum para ser secretário. Buscarei os melhores técnicos – afirmou ele.

Em seguida, flexibilizou:

– Posso até ter um evangélico como secretário, mas não será porque é evangélico.

Com bom humor, o candidato disse que não patrulhará o estilo do carnaval carioca, mas também não desfilará. Crivella garantiu estar disposto a conviver com representantes de outras religiões e homossexuais. A lei que regulamenta a união estável entre servidores municipais com pessoas do mesmo sexo, segundo ele, será mantida.

Crivella não esconde suas inspirações. No setor de transportes, planeja copiar o modelo paulista de bilhete único, criado pela administração petista de Marta Suplicy, além de elogiar os sistemas de trânsito da Colômbia e da capital paranaense.

Fonte: Folha de São Paulo e O Globo Online