Bandeira da Dinamarca (Imagem de torben7400 por Pixabay)
Bandeira da Dinamarca (Imagem de torben7400 por Pixabay)

Igrejas expressaram profunda preocupação com um projeto de lei proposto na Dinamarca, que exige que sermões de todas as religiões sejam traduzidos para o dinamarquês e apresentados ao governo.

A proposta será debatida ainda em fevereiro pelo Folketing, o Parlamento Dinamarquês. O governo disse que o objetivo é “aumentar a transparência dos eventos religiosos e sermões na Dinamarca, quando são proferidos em um idioma diferente do dinamarquês”.

O projeto visa especialmente os grupos islâmicos radicais, já que a maioria dos sermões pregados nas mesquitas é em árabe. Há uma preocupação crescente do governo com o aumento do extremismo islâmico entre os 270 mil muçulmanos que vivem na Dinamarca.

O bispo da Igreja da Inglaterra na Europa, no entanto, acredita que o projeto de lei pode ameaçar a liberdade religiosa também entre cristãos. Ele teme que a lei seja reproduzida em outros lugares da Europa, minando a liberdade das minorias religiosas.

Robert Innes disse ao jornal britânico The Guardian que concorda com “a pretensão do governo dinamarquês de garantir a segurança e proteção”, “mas exigir a tradução dos sermões para a língua nacional vai longe demais”.

Innes escreveu ao primeiro-ministro dinamarquês, Mette Frederiksen, sugerindo que o governo atue em cooperação com as organizações religiosas, em vez de recorrer a leis que interfiram em suas liberdades. “Minha verdadeira preocupação é que, se os dinamarqueses fizerem isso, outros países poderão copiar”, afirmou.

Uma série de igrejas europeias também expressou preocupação, incluindo a Igreja Evangélica Luterana na Dinamarca, a Federação Luterana Mundial, a Comissão Católica Romana das Conferências Episcopais da União Europeia e a Conferência das Igrejas Europeias.

“Este não é um incidente isolado. Acho que precisamos estar alertas à invasão de nossa liberdade de praticar nossas religiões. Aos poucos, grupos minoritários estão sendo tratados com suspeita crescente”, conclui Innes.

Fonte: Guia-me com informações de The Guardian