Na presença dos cardeais que participaram do conclave, a primeira missa do seu pontificado foi celebrada na capela Sistina, mesmo local em que ele foi escolhido como novo pontífice ontem.

Na sua primeira homilia, ele alertou para o risco de a Igreja se converter em uma “ONG piedosa”, se não seguir os preceitos de Cristo. “Se nós não professarmos Jesus Cristo, nos converteremos em uma ONG piedosa, não em uma esposa do Senhor”, disse Francisco ao comentar as leituras feitas na missa.

“Quando caminhamos sem a cruz, edificamos sem a cruz e confessamos com Cristo sem cruz, não somos discípulos do Senhor. Somos mundanos, bispos, padres, cardeais, papas, mas não discípulos do Senhor.”

A primeira leitura foi um trecho do do livro do Profeta Isaias, em que destaca a importância de caminhar na luz do Senhor. A segunda leitura da missa foi extraída da Primeira Carta de São Pedro Apóstolo, que aborda o exercício do sacerdócio.

Também foi lida uma passagem do Evangelho que cita Jesus Cristo dizendo a Pedro “Tu és pedra e renovareis a minha Igreja”.

“Com essas três leituras, vejo que elas têm algo em comum, que é o movimento. Na primeira leitura, o movimento do caminho. Na segunda, da edificação da Igreja. E na terceira, no Evangelho, o movimento da confissão, Caminhar, edificar, confessar”, afirmou Francisco.

Sobre a relevância de construção da Igreja, completou: “Gostaria que todos nós, depois desses dias de graça, tenhamos a coragem de caminhar na presença do Senhor, com a cruz do Senhor. Edificar a Igreja sobre o sangue do Senhor derramado na Cruz”.

O papa encerrou a homilia e prosseguiu o rito conhecido como “Oração da comunidade”, em que são feitas preces pelo novo pontífice, pelos chefes de Estado e por aqueles que sofrem.

[b]Francisco começou 1º dia como papa com visita à basílica de Santa Maria Maior[/b]
Em seu primeiro dia como papa Francisco, o argentino Jorge Mario Bergoglio visitou na manhã desta quinta-feira (14) a basílica de Santa Maria Maior (Santa Maria Maggiore, em italiano), no centro de Roma.

Acompanhado pelo prefeito da Casa Pontifícia, dom George Gaenswein, e o vice-prefeito, Leonardo Sapienza, o papa chegou ao local por volta das 8h (4h horário de Brasília), em um carro simples do Vaticano. Francisco dispensou o carro oficial destinado aos pontífices.

“Sejam misericordiosos com almas que precisam. Rezem por mim”, disse o papa aos padres dominicais, chamados “os confessores do Papa”, durante a visita a basílica romana.
Segundo o padre Élio Monteleone, titular da basílica, que acompanhou a visita do pontífice, Francisco permaneceu no local por cerca de 45 minutos.

Durante esse tempo, fez sua oração em frente ao altar de Nossa Senhora, em uma capela anexa ao altar da basílica, onde depositou um ramo de flores. Ao fim da oração, ele saudou um grupo de seminaristas e freiras um por um (eram cerca de 60 pessoas).

“O papa rezou sozinho, em silêncio. Depois, entoou alguns cânticos. Também pediu para que nós rezássemos por ele e pelo trabalho dele à frente da Igreja Católica”, disse o padre, que se declarou surpreso com a notícia da visita do papa. “Primeiramente, fiquei surpreso com a eleição dele. Depois, com a notícia que ele visitaria a basílica”, afirmou o religioso.

“Foi um encontro com um padre e não com um papa”, comentou padre Ludovico Melo, confessor da basílica de Santa Maria Maggiore

A basílica escolhida por Francisco também é conhecida como a de Nossa Senhora das Neves. É uma das igrejas mais antigas de Roma e data dos anos 432-440 depois de Cristo (d.C).

Dezenas de pessoas, incluindo jornalistas e estudantes, se reuniram diante do templo para acompanhar a primeira saída do novo líder dos 1,2 bilhão de católicos do mundo.

De férias em Roma, a russa Natália Shibaeva, 27, lamentou ter chegado à basílica momentos depois da saída do novo papa da Igreja Católica. “É uma pena ter chegado pouco depois, mas estou feliz por estar em Roma neste momento”, disse a turista.

Após a visita, Francisco se dirigiu à Capela Sistina, onde rezou em memória do papa Sisto V e depois parou em frente à tumba de Pio V.

[b]Fonte: UOL[/b]