Harmony Dust em sua nova vida com Jesus. (Foto: Reprodução/Youtube)
Harmony Dust em sua nova vida com Jesus. (Foto: Reprodução/Youtube)

“Eu não sabia muito sobre cristãos, mas tinha certeza de que eles não gostavam de strippers”, conta Harmony Dust, uma ex-stripper que entrou para a indústria do sexo após uma série de agressões sofridas desde sua infância.

A vida de Harmony só mudou quando ela teve um encontro com Jesus, o que a fez abandonar todo o passado de sofrimento e dor causados por violências e abandono familiar.

Harmony conta que sua mãe era viciada em cocaína e seu padrasto era traficante de drogas em Venice, Califórnia, onde viviam. “Eles tiveram um relacionamento muito violento”, diz em um vídeo do “I Am Second” (Eu sou o Segundo), que traz testemunhos de pessoas que tiveram sua vida transformadas pela fé em Jesus Cristo.

Harmony diz também que foi abusada sexualmente ao longo de sua vida por várias pessoas, desde os 5 anos de idade e na adolescência. Quando tinha 13 anos, o namorado de sua mãe a estuprou. Sua mãe não fez nada para impedi-lo, mesmo sabendo o que estava acontecendo.

“Não porque ela era horrível ou ruim, mas porque ela me ensinou o que aprendeu quando era jovem sendo abusada”, diz Harmony. “E isso é minha culpa. Se você não usasse blusa ou shorts, isso não aconteceria. Você deve saber que é assim que os homens são.”

Diante de tais violências, Harmony começou a escrever sobre o desejo de suicídio e a pensar em como ela se mataria, até de fato tentar contra sua vida.

Em uma determinada época, sua mãe foi com o namorado para o Canadá, onde ficou por três meses, deixando Harmony e seu irmão com US$ 20 em vale-refeição para cuidarem de si. Harmony conta que roubou para que pudesse alimentar a si e a seu irmão.

Naquela época, Harmony se envolveu com um garoto mais velho do bairro. “Olhei para ele e vi esse cavaleiro de armadura brilhante”, diz ela. “Eu não fazia ideia que a intenção dele era me explorar.”

Quando o namorado dela propôs que ela ganhasse dinheiro se despindo, ela se opôs à ideia. Como ele a pressionava, Harmony procurou seu professor de psicologia como alguém em quem pudesse confiar.

Ela pensou que o professor lhe daria conselhos sólidos. Em vez disso, ele a conduziu para o caminho errado: “Eu não vejo nenhum problema com isso”, disse ele.

“A propósito”, ele perguntou casualmente quando ela estava saindo, “por qual clube você estava pensando em se despir?”

Sem pensar, ela contou a verdade e o professor lascivo apareceu para observá-la.

Mesmo com essa reviravolta, ela não percebeu que seu namorado não passava de um cafetão que a explorava.

Mas assim que entrou na indústria do sexo, Harmony nunca poderia sair. Usando o nome “Monique” e uma história de fundo falsa, ela “tentaria” ser a melhor e ganhar o máximo de dinheiro possível. Às vezes, os clientes ultrapassavam os limites e ela se defendia com um estilete.

Fora do clube, Harmony queria uma vida normal. Ela se matriculou em uma aula de balé porque adorava dançar. Foi aí que ela fez uma nova amiga, alguém que tinha limites e respeito próprio, alguém que tratou Harmony com amor e não a julgou. Essa garota era cristã e a convidou para ir à igreja.

Por um tempo, ela esteve na igreja e continuou suas atividades como stripper. Hamony não queria que ninguém conhecesse seu trabalho. Ela era nova no cristianismo, mas tinha certeza de que as pessoas não concordariam com sua carreira.

Finalmente, em uma noite ela começou a chorar no clube e decidiu desistir de viver como uma stripper.

“Eu sabia que era hora de partir”, diz Harmony, que informou seu gerente e esvaziou seu armário de roupas, que ela vendeu para não ter facilidade em voltar.

“Quando parti naquela noite, me senti tão livre”, lembra ela.

Sair do clube foi fácil. O mais difícil foi deixar o namorado.

Para expor a exploração e o tráfico sexual, Harmony escreveu sua história no livro Scars & Stilettos: The Transformation of a Exotic Dancer, e criou o grupo “Treasures”, para ajudar as mulheres a saírem da indústria do sexo.

A ex-stripper diz que 89% das mulheres na indústria do sexo querem sair, mas ficam porque não veem outras opções.

O grupo também quer incentivar os homens a parar de patrocinar a indústria do sexo, porque se a demanda diminuir, haverá menos necessidade de exploração das mulheres. Os homens também estão presos pela indústria, diz ela.

Um dos grandes fatores a superar é a vergonha.

“O que eu fiz não me torna quem eu sou”, diz ela. “Só porque eu já fiz isso antes, não significa que tenho que fazê-lo novamente.”

Fonte: Guia-me com informações de God Reports