A guerra no Iraque completou seis anos nesta sexta-feira (20) com data marcada para acabar, clima mais tranqüilo no país, mas sem nenhuma previsão realista de vida normal e independente para os invadidos.

Apesar de o presidente Barack Obama ter decretado que todos os soldados americanos devem sair do território iraquiano até 2011, o conflito não se encerra de forma tão simples, e analistas ouvidos pelo G1 apontam para um longo período de um Iraque ainda dependente dos EUA.

Segundo o diretor de estudos do Iraque do Usip, instituto norte-americano de paz, Sam Parker, a relação entre os dois países caminha para uma longa parceria, com o Iraque se tornando cada vez mais autônomo, mas continuando precisando de ajuda dos EUA. “Vai demorar anos para que os iraquianos possam operar de forma totalmente independente, pois eles precisam muito de apoio técnico e logístico nos EUA. Acredito que aos poucos o Iraque assuma o controle, mas que vá depender desse apoio norte-americano, numa parceria semelhante ao que já acontece com vários outros países da região, como o próprio Kuwait ou o Qatar”, explicou, em entrevista por telefone.

“O Iraque não está pronto para ser independente, mas nós não vamos sair imediatamente”, disse ao G1 Michael O’Hanlon, do instituto Brookings. “Aos poucos, podemos ir retirando as tropas e repassando a responsabilidade da maior parte das operações para os iraquianos.”

A chave para compreender o que pode vir a acontecer no país no futuro é discutir o próprio conceito de independência. “É difícil falar em independência completa. Países como Kuwait, Egito e Qatar têm independência, mas também têm um forte envolvimento com os Estados Unidos. É difícil imaginar que os Estados Unidos vão sair completamente do Iraque, mas aos poucos ele [o Iraque] vai se tornar um ator político autônomo”, disse.

Tranquilidade

Com data marcada para a retirada das tropas norte-americanas, que invadiram o Iraque em 20 de março de 2003, o país assiste a uma queda na violência que tomou ares de guerra civil dois anos atrás. Comparado com o início de 2007, este ano viu os números da violência caírem 90%, segundo dados oficiais do Exército norte-americano.

“O país já conseguiu criar uma boa estabilidade em boa parte do território. Claro que há regiões ainda fora de controle. No total, acredito que haverá eventos esporádicos de violência, mas é pouco provável que vejamos a violência crescer de forma desordenada a ponto de desestabilizar a ordem política nacional”, disse Parker.

Depois de seis anos de medo, caos e apreensão, os iraquianos começam a retomar suas vidas com um grau maior de normalidade. Correspondentes internacionais no país relatam que a população voltou a sair às ruas com freqüência e a procurar parques e lugares públicos de lazer. Uma reportagem do jornal “USA Today” mostrou que até o preço de casas começou a subir com o relativo aumento da segurança.

Uma pesquisa divulgada em fevereiro pela rede de TV ABC mostrava que a relativa tranquilidade anima a população. A situação foi descrita como boa ou muito boa por 85% dos entrevistados. Quase seis em cada dez iraquianos disseram se sentir seguros em suas vizinhanças.

Mesmo não havendo mais o clima de guerra civil que tomou conta do país há dois anos, não é possível falar que a vida no Iraque atingiu uma situação normal. Nas últimas semanas, novos ataques com bombas mataram mais de 60 pessoas na região de Bagdá, uma das mais controladas no país.

Segundo Parker, o aumento de tropas em 2007 ajudou a estabelecer o controle do país e manter a segurança. Uma vez que isso foi feito, tropas iraquianas assumiram o controle dessas regiões. “A ação dos dois, dos americanos e dos iraquianos, ajudou a derrubar os números da violência no país.”

Custos

Desde que iniciou a incursão no país então controlado por Saddam Hussein, em 2003, o Iraque encarou a invasão, as mortes, o caos social e político e o clima de guerra civil. Levantamentos de grupos como o Iraq Body Count apontam que mais de 99 mil pessoas morreram no país desde a invasão – os números mais conservadores falam e impressionantes 45 mil mortos. Mas os Estados Unidos também pagaram um alto preço em dólares e em vidas.

Desde a invasão até o sexto aniversário, morreram 4.259 norte-americanos no país, uma média de mais de dois mortos por dia de conflito, e quase 50% a mais de que o número de vítimas deixado pelos atentados terroristas em 11 de Setembro.

Financeiramente, a guerra também deixa saldo negativo. Desde 2001, foram investidos US$ 939 bilhões (cerca de R$ 2,150 trilhões). Muito mais vai precisar ser gasto para poder retirar as tropas e ajudar os soldados iraquianos a assumirem totalmente o controle da segurança no Iraque.

“Invadir o Iraque foi um erro estratégico. O país perdeu muito em vidas, em dinheiro, em credibilidade e prestígio internacional. Não valeu a pena. Claro que o Iraque pode evoluir e se tornar um importante ator regional, mas ainda acho que toda a guerra foi um erro”, sentenciou Parker.

Como temos visto em muitas notícias ultimamente, os cristãos fugiram do Iraque por causa da guerra, e os líderes temem que o país fique quase sem cristãos. Separe um tempo para interceder por nossos irmãos no Iraque, para que Deus os motive a voltar e reconstruir o país destruído pelo conflito.

Fonte: Portas Abertas