Ex-padre chileno Fernando Karadima, expulso da Igreja pelo Papa Francisco, em foto de 11 de novembro de 2015 (Foto: AFP/Arquivos / Vladimir RODAS)
Ex-padre chileno Fernando Karadima, expulso da Igreja pelo Papa Francisco, em foto de 11 de novembro de 2015 (Foto: AFP/Arquivos / Vladimir RODAS)

A Justiça ordenou que a Igreja chilena pague uma indenização de cerca de 671 mil dólares às vítimas de abuso sexual do ex-padre Fernando Karadima, confirmaram neste domingo (21) os beneficiários da decisão do tribunal.

O Tribunal de Apelações de Santiago revogou uma decisão anterior e decidiu se posicionar a favor de Juan Carlos Cruz, José Andrés Murillo e James Hamilton, que processaram a igreja por sua negligência e por ter encoberto alegações de abuso sexual contra Karadima, expulso da vida sacerdotal pelo Papa Francisco em setembro passado.

“Estamos muito felizes, tem sido um longo caminho (…) esta decisão deve marcar o fim da impunidade em matéria de abuso sexual clerical”, disse um comunicado dos três denunciantes.

O tribunal chileno emitiu sua decisão na quinta-feira, mas o texto não foi divulgado, motivo pelo qual as vítimas esperam que os detalhes da decisão sejam conhecidos nos próximos dias.

A igreja chilena reagiu em um breve comunicado, em que manifestou que “agregou-se um antecedente novo para a causa, do qual não tínhamos conhecimento. Analisaremos esta situação juntamente com a sentença, para decidirmos os passos que iremos seguir”.

Até agora, o Papa Francisco aceitou a renuncia de sete bispos chilenos, expulsou do sacerdócio dois outros bispos eméritos e os sacerdotes Karadima e Cristian Precht, reconhecido defensor dos direitos humanos durante a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).

Em paralelo, a Justiça mantém 119 causas abertas por casos de abusos cometidos ou encobertos por bispos e padres.

Fonte: AFP