Igreja Católica vazia

Por recomendação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), as missas e celebrações presenciais haviam sido suspensas para evitar a contaminação pela Covid-19. Agora, após quase dois meses da decisão, a Igreja Católica começa a retomar as missas com a presença de fiéis.

A retomada acontece em Estados onde o governo baixou decretos adotando a medida provisória do presidente Jair Bolsonaro que incluiu cultos e missas na lista de atividades essenciais.

Para evitar aglomeração, os fiéis devem se manter a 2 metros de distância entre si e apenas 30% da capacidade da igreja está sendo ocupada. Não é admitido o ingresso de pessoas de grupo de risco, com mais de 60 anos ou menores de 12 anos.

O padre Rodrigo de Castro, reitor do Santuário Sagrada Família, em Goiânia, conta que, no domingo (10), celebrou missas com os fiéis presentes e intervalos de duas horas para higienizar a igreja.

“Celebrei em todos os horários possíveis, às 3 horas da madrugada, 6 da manhã, 9, 12, 15, 18 e a última, às 21 horas. Devo repetir o mesmo esquema no próximo domingo”, disse.

O santuário tem capacidade para 3,5 mil pessoas, mas estão sendo admitidas 380. Durante a semana, os devotos retiram na secretaria um bilhete com o lugar marcado. Na entrada, os fiéis têm os calçados limpos com um jato de desinfetante e passam pelo sensor de temperatura.

O Santuário Nossa Senhora de Fátima, em Florianópolis (SC), celebrava o dia da padroeira, na quarta-feira (13), também com missas presenciais. Segundo o padre Mário Raimondi “as missas são abertas à comunidade, mas com restrições, seguindo as medidas decretadas pela Secretaria da Saúde do Estado”.

Mesmo com as atividades presenciais suspensas, um bispo, cinco sacerdotes e duas freiras que atuavam em paróquias de todo o País morreram pela covid-19.

Para o infectologista Alexandre Naime Barbosa, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), as medidas de controle adotadas em espaços fechados, como as anunciadas pelas igrejas, otimizam a prevenção da transmissão.

“Na visão técnica dos cuidados tomados nesse espaço, a chance de transmissão é muito pequena. Mas há dois problemas: o primeiro: quem vai fiscalizar? O segundo é que favorece o deslocamento das pessoas e os contatos fora do ambiente. Quem garante que as pessoas que se conhecem não terão contato na frente da igreja?”

Já a virologista Giliane de Souza Trindade, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), vê como “um risco” a retomada de celebrações religiosas presenciais pelo potencial de produzir aglomerações.

“Não é o momento certo para isso. Chegamos a ter mais de 800 mortes em 24 horas. Houve quebra nas medidas que estão sendo tomadas, por isso estamos na faixa ascendente da doença. Não sabemos sequer usar as máscaras direito, pois a gente mexe de forma errada nelas.”

Fonte: Jovem Pan com informações do Estadão Conteúdo