Oziel ao lado da esposa, Cledna: “Não considero o que a arquidiocese decide. Quem faz o padre é o povo”, diz ele, que defende idéias consideradas radicais pela igreja, entre elas, celibato opcional.

Oziel Luís dos Santos era casado desde 1987 e pai de cinco filhas. Nada incomum, não fosse o fato de ele já ter sido ordenado padre. Nesta sexta-feira, mais de 20 anos depois do matrimônio, a Arquidiocese de Goiânia comunicou a demissão de ordens de Oziel com documento que o proíbe oficialmente de celebrar qualquer ritual em nome da Igreja Católica.

A decisão da arquidiocese aconteceu após longo processo no Tribunal Eclesiástico, espécie de Supremo Tribunal Federal (STF) da Igreja. Antes da decisão, pelo menos uma dúzia de cartas havia sido encaminhada à residência de Oziel. Mesmo assim, ele resolveu não comparecer às audiências. “Não considero o que a arquidiocese decide. Quem faz o padre é o povo”, diz Oziel ao Diário da Manhã.

Em nota divulgada ontem, a arquidiocese comunicou que a partir de hoje a sentença oficial da demissão será enviada a todas as capelas, comunidades e paróquias de Goiânia. A decisão será lida em público durante três domingos consecutivos e fixada em murais de aviso. Por meio da assessoria, a arquidiocese comunicou que a única intenção do ato é informar a todos que Oziel não tem nenhuma autoridade concedida pela Igreja.

Celibato opcional

Além de “desconsiderar a decisão da arquidiocese”, Oziel defende idéias radicais para a Igreja Católica. A primeira delas é o celibato opcional. A razão deste é simples: conhecer a realidade do fiel para aconselhá-lo com sabedoria. “Creio que meu trabalho diário, minha vivência com a minha esposa, me fazem mais apto do que qualquer padre que vive em celibato, longe da sociedade.”

A segunda é a ordenação das mulheres. “Quem sustenta a Igreja hoje são as freiras e elas não têm o destaque que merecem.” Para propor tamanha revolução, a esposa, Cledna Maria de Castro Santos, também é inspiração. “Se houvesse o celibato opcional, ela poderia me ajudar na condução da comunidade. Ela já me auxilia tanto hoje!”

A própria Cledna conta ao DM que conheceu Oziel ainda padre. Porém, diz que só casaram quando o sacerdote pediu afastamento da arquidiocese. “Ele saiu da paróquia em um dia e nos casamos em outro.” O padre conta que na época chegou a conversar com o então bispo Dom Washington Cruz, que o aconselhou a enviar uma carta a Roma. “Falei que não iria me desfiliar, falei que não era Roma que ia me fazer padre, mas Deus.”

Apesar de ainda celebrar missas, casamentos e batizados depois do próprio casamento, ele conta que nunca o fez dentro de um templo. “Se alguém me convidar para ir em casa, qualquer lugar, eu vou e faço no maior prazer.” Para batizados e casamentos, o ex-padre recomenda que o fiel procure um representante “legítimo” da própria Igreja. “Eu peço para conversar com o padre. Mas tem tanta gente que me diz que foi maltratado na Igreja e me pede para eu realizar o casamento!”, conta ele.

Fonte:Diário da Manhã – GO