Incêndio na Catedral de Notre Dame, em abril de 2019, chamou a atenção para ataques contra igrejas na França. (Foto: Veronique de Viguerie/Getty Images)

Houve um aumento de cerca de 285% no número de “incidentes anticristãos” relatados na França na última década, de acordo com a chefe do Observatório de Intolerância e Discriminação Contra Cristãos na Europa (OIDACE), com sede em Viena (Áustria).

Considerando que seis igrejas francesas pegaram fogo nos últimos 18 meses, incluindo a principal catedral de Nantes na semana passada, dados do governo indicam um aumento acentuado no número de supostos ataques e atos de vandalismo cometidos contra templos cristãos desde 2008.

“O governo francês relatou que [em 2008] ocorreram 275 ‘atos anticristãos’”, disse Ellen Fantini, diretora executiva da OIDACE, ao The Christian Post, na última segunda-feira (27). “Então, isso é algo que tem como alvo uma igreja de alguma forma com vandalismo ou uma estátua cristã pública, pode ser um cemitério cristão ou pode ser ataques reais contra cristãos franceses com um viés anticristão”.

“Se olharmos para 2018 e 2019, os números são pouco mais de 1.000 [por ano]. Portanto, o aumento de 275 para pouco mais de 1.000 resulta em um aumento de 285%”.

Segundo o Ministério do Interior da França, houve 1.052 incidentes anticristãos cometidos em 2019, que consistem principalmente em ataques a propriedades religiosas. Os incidentes de 2019 são divididos em 996 “atos” e 56 “ameaças”.

“O que é chocante é o quão baixos são os números do governo”, disse a diretora do único observatório que cobre questões de liberdade de consciência cristã em toda a Europa.

Além dos dados publicados pelo governo sobre ações anticristãs, Fantini disse que o governo francês também envia dados sobre crimes de ódio cometidos com um viés contra os cristãos à Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE).

No entanto, os dados do governo sobre crimes de ódio contra cristãos não parecem coincidir com os números que o governo fornece sobre incidentes anticristãos.

“Os números mais recentes de crimes de ódio, foram de quase 2.000 em 2018”, explicou ela. “Então, quando as pessoas reagem com choque quando dizemos que isso dá cerca de três por dia, estamos recebendo números conservadores. Quando consideramos até o número de crimes de ódio contra os cristãos do próprio governo, isso resulta em mais de cinco por dia”.

“Não está claro por que esses [dois conjuntos de] números não coincidem. O governo francês não tem sido transparente sobre o porquê desses números não coincidirem. O que podemos dizer com segurança é que o governo francês relata esses dois números. Isso sugere que o valor mais baixo deve ser o mínimo absoluto e o valor fornecido à OSCE é provavelmente preciso, embora eu suspeite que até esse número seja menor que o valor real”.

Quando questionada sobre o que “incidentes anticristãos” acarretam, Fantini afirmou que eles tendem a ser atos de “vandalismo com uma mensagem”.

“Eles não são necessariamente como uma pichação, em que você pode identificar o que essas pessoas querem, em comparação com a Espanha. … Na França, vemos muitas decapitações de estátuas, vemos a destruição de objetos preciosos. Não quero dizer preciosos em valor material, mas a destruição, por exemplo, de figuras consagrados nas igrejas católicas. Basicamente, não há nada pior que você possa fazer em uma igreja católica do que destruir referências a nomes consagrados”.

O pesquisador acrescentou que a França vê “muitos” pequenos incêndios intencionais nas igrejas. No entanto, esses incêndios geralmente não queimam os prédios.

“Existem muitas janelas quebradas. Para algo como uma janela quebrada, não sabemos se era uma criança brincando com uma bola ou se era alguém que odeia a igreja ou odeia cristãos. Minha organização tende a, se não temos outras informações, não dizer realmente que achamos que um assim incidente tem um viés anticristão”, observou ela.

“Mas se eles quebram uma janela e destroem as coisas, sabemos que isso está acontecendo. É difícil descobrir qual seria a motivação, porque na maioria das vezes os vândalos não são capturados. A maioria das igrejas não tem câmeras de segurança. A maioria das igrejas fica aberta ao público o dia todo, mas não possui guardas de segurança. Para ser sincera, acho que só vemos a ponta visível do iceberg, porque muitas igrejas na Europa e nos Estados Unidos também sofrem vandalismo e simplesmente não denunciam”, explica.

Fonte: Guia-me com informações de The Christian Post