João de Deus presta depoimento ao Ministério Público

João Teixeira de Faria, 76, o João de Deus, afirmou nesta quarta-feira (26) “não se lembrar” das mulheres que o acusam de abuso sexual.

Em seu primeiro depoimento ao Ministério Público de Goiás, ele também negou que tenha qualquer crime em seus “atendimentos espirituais”, informou advogado Alex Neder, que integra a equipe de defesa.

“Ele respondeu a todas perguntas dos promotores. Negou peremptoriamente que tenha cometido qualquer tipo de abuso sexual. Ele sempre fez atendimentos acompanhado de várias pessoas. Ele não se lembra de nenhuma das mulheres que o acusam”, disse Neder ao UOL.

O advogado afirma que João de Deus “está muito debilitado” por causa de sua condição de saúde (ele é cardiopata) e que não recebe atendimento médico no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, onde está preso preventivamente (sem previsão de soltura).

Durante a tarde, policiais do Deic (Delegacia Estadual de Investigações Criminais) devem ouvir a mulher de João de Deus, Ana Keyla Teixeira, em Goiás.

João de Deus chegou ao MP por volta das 10h sob forte escolta policial. O depoimento durou cerca de uma hora e e meia. Os promotores receberam quase 600 denúncias por e-mails de pessoas que se dizem vítimas de assédio ou abuso. Desses casos, 78 foram ouvidos pela força-tarefa que conta também com agentes da Polícia Civil.

De acordo com o MP-GO, das potenciais vítimas do médium, onze moram no exterior: Estados Unidos (4), Austrália (3), Alemanha (1), Bélgica (1), Bolívia (1) e Itália (1).

O MP-GO informou ainda que os casos em investigação dizem respeito a crianças, adolescentes e mulheres com idades de 9 a 67 anos.

Em duas operações da polícia com o Ministério Público, na semana passada, a força-tarefa apreendeu R$ 1,6 milhão em espécie, armas, medicamentos em endereços ligados a João de Deus. Também foram localizadas dezenas de pedras que podem ser preciosas e um fundo falso, dentro de um guarda-roupa, onde estava um cofre vazio.

O advogado de João de Deus, Alberto Toron, negou que o dinheiro seja ilícito. Segundo Toron, as quantias eram guardas em cofres por “medo de assaltos”.

Em razão das armas sem registro, foi expedido um segundo mandado de prisão. Sobre essa investigação, testemunhas estão sendo ouvidas.

A Polícia Civil concluiu a primeira investigação e indiciou o médium pelo crime de violação sexual mediante fraude, em 20 de dezembro. Isso significa que a Polícia considera que os indícios são suficientes para que o suspeito seja denunciado criminalmente pelo Ministério Público.

Essa investigação tratou, especificamente, da denúncia de uma mulher de 39 anos que contou ter sido abusada em 24 de outubro deste ano.

As denúncias contra João de Deus vieram à tona após 13 pessoas relatarem os abusos à TV Globo e ao jornal O Globo, em 8 de dezembro. Desde então, uma força-tarefa colheu depoimentos de supostos abusos cometidos pelo médium de denunciantes de dentro e fora do Brasil.

João de Deus ganhou fama internacional pelos tratamentos espirituais que afirmava fazer. Políticos, empresários e apresentadores de TV já procuraram os trabalhos do auto declarado médium.

Fonte: UOL