O Newcastle, quatro vezes campeão inglês e 16º colocado na última temporada, deve perder um astro devido a uma saia justa religiosa.

Adepto do islamismo, o senegalês Papiss Demba Cissé, 28, não viajou ontem com o elenco para a pré-temporada em Portugal por discordar do novo patrocinador do clube.

O centroavante se recusa a vestir a camisa com a marca da financeira Wonga.com, que pagar cerca de R$ 27 milhões por ano ao time.

Cissé diz que não vai promover uma empresa que sobrevive da cobrança de juros em empréstimos, prática condenada por sua religião.

“Ele poderia fazer propaganda para essa marca, só não pode mesmo emprestar dinheiro a juros”, afirmou o doutor em filosofia medieval árabe e professor da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) Jamil Iskandar.

“Não é vedado a nenhum muçulmano fazer negócios com bancos ocidentais, que cobram juros altos. É uma interpretação dele”, acrescentou o pesquisador.

Outros islâmicos do elenco do Newcastle, como o marfinense Cheik Tioté e os franceses Moussa Sissoko e Hatem Ben Arfa, não fizeram restrições ao patrocinador.

A crise com Cissé começou no fim da temporada, [url=https://folhagospel.com/modules/news/article.php?storyid=25769]quando o atacante anunciou que não usaria o uniforme com a logomarca da Wonga.com[/url].

O jogador chegou a propor ao Newcastle ter uma camisa especial, com um adesivo tampando o patrocinador ou a marca de uma instituição de caridade substituindo a logo da financeira, mas as propostas foram rejeitadas.

Afastado do time principal do Newcastle, Cissé fará treinos individuais enquanto não houver uma definição sobre sua situação. O russo Anzhi tem interesse em contratá-lo.

Esse não é a primeira saia justa entre o islamismo e os patrocinadores no futebol.

O atacante malinês Frédéric Kanouté chegou a ter à disposição uma camisa personalizada no Sevilla antes de aceitar mostrar a marca da empresa de apostas 888.com.

[b]Fonte: Folha de São Paulo[/b]