O estilo de vida evangélico, que por muito tempo foi alvo de estereótipos e até piadas, consolidou-se como um fenômeno econômico no Brasil. Segundo o relatório “Gospel Power 2025”, divulgado esta semana pela Zygon Adtech em parceria com a Eixo, o mercado cristão movimenta cerca de R$ 21 bilhões por ano no país, abrangendo setores como moda, beleza, papelaria, entretenimento e conteúdo digital.
O crescimento é impulsionado, principalmente, pelo público jovem. De acordo com o estudo, 28% dos consumidores evangélicos têm entre 15 e 19 anos, enquanto 31% são crianças. O levantamento também aponta que a fé exerce influência direta sobre os hábitos de consumo: 58% dos evangélicos afirmam que suas crenças impactam as decisões de compra, e muitos se dizem dispostos a pagar mais por produtos alinhados a seus valores.
Esse comportamento já se reflete de forma clara no varejo. O mercado registra aumento significativo na procura por roupas que dialogam com princípios cristãos, Bíblias premium e personalizadas, planners devocionais, perfumaria temática, camisetas com versículos bíblicos, vestidos, peças de streetwear cristão, produtos assinados por artistas gospel, cadernos de oração, kits de bem-estar e itens decorativos religiosos.
Em São Paulo, o fenômeno ganhou até endereço próprio. No Brás, tradicional polo de comércio popular, comerciantes já se referem à região como a “25 de Março Gospel”, reunindo dezenas de lojas voltadas especificamente ao público evangélico. O crescimento também é impulsionado pela presença cada vez mais forte de líderes religiosos, artistas e influenciadores cristãos nas redes sociais, que ajudam a direcionar tendências e estimular o consumo.
O relatório aponta ainda um distanciamento desse público em relação à publicidade tradicional. Segundo os dados, 52% dos evangélicos dizem não se sentir representados pelas campanhas convencionais, enquanto 31% afirmam já ter boicotado marcas que consideraram contrárias a seus princípios.
Para a consultora de moda Karla Furlan, a adaptação do vestuário às crenças religiosas não significa abrir mão das tendências. “Hoje, podemos usar peças e modelagens que estão super em alta e adaptá-las facilmente a um armário que corresponde a uma mulher cristã. A questão é saber escolher as peças certas e aproveitar o que cada uma delas pode oferecer e compor. A moda está rompendo padrões, e a tendência é o crescimento desse novo formato”, afirma.
Empreendedoras evangélicas também destacam o papel das redes sociais na consolidação desse nicho. Evelyn Santos, proprietária da marca Senhorita Moda Modesta, relata que a internet foi decisiva para alcançar o público cristão. “Como evangélica, sempre procurei peças estilosas e modernas, porém tinha muitas dificuldades para encontrá-las. Pelo Instagram, mostrei para minha audiência a rotina, escolhas das peças e que moda evangélica não precisa ser só ‘renda, babado e estampas florais’. Logo, alcançamos mulheres evangélicas de todo o Brasil”, conta.
A influência digital também se reflete em grandes audiências. A criadora de conteúdo Renata Castanheira, conhecida pelo canal Crente Chic, reúne mais de 1 milhão de seguidores nas redes sociais. “Minha intenção é mostrar que a gente pode ser crente e ser chique, sem fugir da nossa doutrina. A maneira como nos vestimos diz muito sobre nossa personalidade”, declarou.
Além de Renata, outros nomes e marcas se destacam nesse segmento, como Ravane Nayara, Jaq Jacob, Zinzane, Via Tolentino, Titanium Jeans e Via Evangélica, todos com forte presença digital. O relatório “Gospel Power 2025” analisou 228 mil menções nas plataformas TikTok, Instagram e X (antigo Twitter), confirmando a relevância do público evangélico como força econômica e cultural no ambiente online.
Fonte: Comunhão

