Uma obra de arte que retratava o profeta Maomé e seu genro Ali como um casal gay assinada pela artista iraniana Sooreh Hera, foi retirado de uma exposição na Holanda.

O museu Gemeentemuseum declarou que quer evitar constestações de islâmicos – numero grupo no país. Segundo o Gemeente, as obras “poderiam aborrecer certos setores da população” e “um centro de arte não é um fórum político”.

Já a artista iraniana classificou a censura de sua obra como “hipocrisia. “Condena-se a homossexualidade, mas nos países como o Irão e a Arábia Saudita é normal que os homens casados mantenham relações com outros homens”, alega Sooreh Hera. A mostra 7Up é dedicada a estudantes recém-licenciados do curso de Artes.

A artista vive há sete anos na Holanda, onde frequenta a Academia de Belas Artes de Haia, e possui um trabalho já conhecido por seu forte teor homossexual. Para esta exposição tinha incluído dois iranianos entre os seus modelos que não queriam ser reconhecidos com medo de possíveis represálias. Então, Sooreh Hera optou por colocar-lhes máscaras com os rostos de Maomé e Ali.

O título do seu trabalho, Adão e Evaldo, é um trocadilho com o de Adão e Eva, mas os colaca em uma pose gay. “Sei que o que faço é perigoso, mas também creio que o valor da minha obra está acima de qualquer pessoa”, alega a jovem artista.

Desde o assassínio do jovem cineasta holandês Theo van Gogh por um compatriota muçulmano de origem marroquina, devido às críticas ao islão, vários artistas expressaram o desagrado ao fundamentalismo através das suas obras. Como as caricaturas dinamarquesas, que provocaram um conflito internacional.

Fonte: UOL