O Conselho inter-religioso da Nigéria (NIREC) pediu aos governos dos Estados muçulmanos da Federação nigeriana indenizarem as vítimas das violências religiosas que ensangüentaram o norte do país nos últimos anos.

O pedido está contido num comunicado divulgado na conclusão da quarta reunião trimestral do organismo e assinado pelos dois co-presidentes: o arcebispo de Abuja John Onaiyekan e o sultão Sokoto Alhaji Abubakar Sa’ad, presidente do Conselho Islâmico da Nigéria.

Calcula-se que sejam no total 10 mil as vítimas das violências que se verificaram entre 2000 e 2006 em diversos Estados nigerianos, após a introdução da lei islâmica em alguns deles. Durante os conflitos foram destruídas muitas igrejas e mesquitas. Segundo o NIREC – refere o jornal nigeriano “Daily Trust” – a indenização permitirá às vítimas, aos seus familiares, “aliviar” as “perdas humanas e materiais” sofridas por causa da “ação de alguns extremistas”.

No comunicado os dois líderes religiosos chamam ainda a atenção para aqueles “ pregadores imprudentes” que, com os seus discursos, instigam ao ódio inter-religioso; criticam ainda os meios de comunicação por terem contribuído em alimentar a intolerância e as tensões, distorcendo os fatos.

Enfim os dois co-presidentes exortam os fiéis das duas principais religiões do país a buscarem, no diálogo, a estrada para superar as incompreensões. “O diálogo – destaca o texto – é o modo mais eficaz para promover a compreensão, a paz e coexistência pacífica entre os povos, quaisquer que sejam as suas culturas e convicções religiosas”.

Os fiéis cristãos e muçulmanos nigerianos são também convidados à “conversão moral” levando a sério os valores da sua fé e a lutar juntos contra a “corrupção generalizada”.

O comunicado se conclui com um apelo às autoridades centrais e à sociedade civil a construírem “uma plataforma sistemática para a paz e a harmonia religiosa na Nigéria, através da promoção do desenvolvimento sócio-econômico, da justiça, da transparência e do bom governo”.

Na Nigéria os muçulmanos são pouco menos da metade da população, concentrados, sobretudo no norte, enquanto os cristãos são 40%, dos quais 15% católicos. O restante 10% pratica cultos tradicionais.

Fonte: Rádio Vaticano