O papa Bento 16, em seu pronunciamento anual conhecido como “estado do mundo”, pediu na segunda-feira que a comunidade internacional sele um pacto de segurança a fim de evitar que terroristas tenham acesso a armas nucleares.

Em declarações proferidas diante de diplomatas de 176 países que trabalham junto ao Vaticano, o pontífice ainda criticou os “ataques contínuos” à vida humana, afirmando que as novas fronteiras da bioética demandavam um “uso moral da ciência”.

O líder religioso voltou a defender a paz no Oriente Médio, lamentou o derramamento de sangue na Ásia e na África e elogiou uma recente resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre uma moratória à pena de morte.

O papa reafirmou a oposição da Igreja Católica ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e convocou os políticos a defenderem a família tradicional na qualidade de célula básica da sociedade.

“Gostaria de conclamar a comunidade internacional a fazer um pacto global de segurança”, disse no pronunciamento, descrito algumas vezes como “estado do mundo” porque avalia aspectos do panorama internacional.

“Um esforço conjunto da parte dos países do mundo todo para implementar as obrigações assumidas e evitar que os terroristas tenham acesso às armas de destruição em massa fortaleceria, sem dúvida, o regime de não-proliferação nuclear e o tornaria mais eficiente”, afirmou.

Bento 16, líder dos 1,1 bilhão de católicos do mundo, fez diversos apelos defendendo o desarmamento nuclear e convencional, mas nunca antes havia se referido à necessidade de os governos evitarem que terroristas adquiram armas atômicas.

O papa disse receber com satisfação o fato de a Coréia do Norte ter aceitado ingressar em um programa de desmantelamento nuclear e pediu ainda que negociações realizadas com “boa fé” resolvam as disputas em torno do programa nuclear do Irã.

Bento 16 elogiou a promessa feita em novembro passado pelos líderes israelense e palestino, em Annapolis (EUA), sobre tentarem atingir um acordo de paz até o final de 2008.

“Eu convido a comunidade internacional a dar apoio veemente a esses dois povos e a compreender seus sofrimentos e temores”, afirmou.

O papa dedicou uma parte de seu discurso à defesa da “dignidade humana”.

“Não me resta outra alternativa que lamentar, mais uma vez, os ataques contínuos desferidos em todos os continentes contra a vida humana”, disse.

“Eu gostaria de lembrá-los, e lembrar os vários homens e mulheres que se dedicam às pesquisas e à ciência, de que as novas fronteiras atingidas pela bioética não nos obrigam a escolher entre a ciência e a moral: ao contrário, elas nos obrigavam a um uso moral da ciência”, afirmou.

A Igreja Católica opõe-se às pesquisas com células-tronco embrionárias se essas incluírem a destruição de embriões. Mas a entidade ainda não se manifestou sobre pesquisas recentes realizadas nos EUA e que encontraram formas de converter células epiteliais comuns em células-tronco.

Fonte: Reuters

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