Segundo um porta-voz do Vaticano, o pedido foi negado “por razões óbvias sobre a situação delicada” com a China.

O papa Francisco recusou-se a receber o dalai-lama, líder espiritual do Tibete, em audiência privada nesta sexta-feira (12) –segundo o Vaticano, para não prejudicar as já tensas relações da Santa Sé com o regime chinês.

Considerado pela China um ativista pela independência do Tibete, o dalai-lama, 79, foi a Roma para uma reunião de ganhadores do Nobel da Paz, que ele recebeu em 1989 (o ano do massacre da praça da Paz Celestial).

Segundo um porta-voz do Vaticano, o pedido foi negado “por razões óbvias sobre a situação delicada” com a China. O líder tibetano entendeu a situação, acrescentou.

O dalai-lama disse à imprensa italiana ter se aproximado do Vaticano e obtido como resposta que a audiência poderia criar inconvenientes.

A Igreja Católica na China é dividida em duas comunidades: uma “oficial”, conhecida como Associação Patriótica e que responde ao Partido Comunista chinês, e uma “clandestina”, que segue a orientação do papa em Roma.

Um funcionário do Vaticano, que pediu para não ser identificado, disse ao jornal britânico “The Guardian” que a decisão “não foi tomada por medo, mas para evitar mais sofrimento por parte daqueles que já sofrem” –uma referência aos católicos na China que são leais ao papa.

A Santa Sé informou ainda que o papa não se encontraria com nenhum dos Prêmios Nobel –o secretário de Estado (número dois na hierarquia do Vaticano), Pietro Parolin, enviou a eles mensagem em nome do pontífice.

O último encontro entre um papa e o dalai-lama –exilado na Índia desde 1959, após uma revolta fracassada contra o domínio chinês– foi em 2006, quando o líder tibetano se reuniu com Bento 16.

[b]Fonte: Folha de São Paulo[/b]