Advogados do pastor Joaquim Gonçalves, 85 anos, acusado de abuso sexual, apresentam defesa para os fiéis. (Foto: Reprodução de vídeo)
Advogados do pastor Joaquim Gonçalves, 85 anos, acusado de abuso sexual, apresentam defesa para os fiéis. (Foto: Reprodução de vídeo)

O pastor da igreja Tabernáculo da Fé, Joaquim Gonçalves, 85 anos, denunciado por seis mulheres, incluindo uma adolescente, por supostos crimes sexuais e abusos, levou para o templo seus advogados que apresentaram a defesa do acusado para cerca de 12 mil fiéis durante congresso religioso, em Goiânia (GO).

Os supostos crimes sexuais teriam ocorrido entre os anos de 2002 e 2021, durante atendimento do líder religioso no interior da igreja. Ao todo, as denúncias envolvem um caso de assédio moral e cinco casos de assédio sexual apontados contra o líder religioso.

O caso mais recente foi o de uma menor de 17 anos, que está sendo investigado em segredo pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA). Umas das denunciantes afirma que foi abusada pelo pastor inúmeras vezes no período entre 2002 e 2006.

Em defesa do pastor, os advogados Osemar Nazareno e Leandro Silva alegam que todos os casos das supostas vítimas se baseiam em mentiras. O motivo das falsas acusações seria a tentativa de um complô para retirar Joaquim Gonçalves do posto de comando da instituição religiosa.

De acordo com Leandro, o discurso feito em defesa do pastor no último domingo (11) no congresso religioso ocorreu porque o pastor ainda não havia se pronunciado sobre os casos.

“A igreja é constituída como uma associação. Como as denúncias foram amplamente divulgadas na mídia no mês de junho, os fiéis associados tinham expectativa de que ele se posicionasse sobre o as denúncias. Por isso, fomos chamados para fazer um pronunciamento após o culto neste dia”, declarou o advogado.

Além disso, o advogado afirmou que todas as denunciantes dos casos foram baseadas em mentiras. Ele ressaltou que tem provas “cabais” de que o pastor Joaquim estava em sua chácara na região do Araguaia no dia em que uma das denunciantes afirmou que sofreu abusos dentro do escritório da igreja, em Goiânia.

Leandro conclui que todas os casos fazem parte de um “complô” para retirar o líder religioso do posto de comando da instituição. O advogado afirma que as provas ainda não foram apresentadas para a polícia.

Advogada das denunciantes

Thaynara Andrade, advogada que atua em nome das denunciantes, afirma que o pronunciamento do defensor do religioso não tem validade jurídica e fere o princípio ético da relação entre advogado e cliente. “Esse ‘julgamento’ que fizeram na igreja não significa nada. Os fiéis presentes tomam o que foi apresentado pelo advogado como verdade, mas isso só vai ser decidido pelo juiz”, ressalta.

Além disso, para Thaynara – que representa o grupo Unidas: Mulheres que Erguem Outras Mulheres-, a defesa do pastor Joaquim Gonçalves expôs detalhes, áudios e imagens que constam no processo judicial a milhares de fiéis. “O Código de Ética e Disciplina da Advocacia orienta a manter as relações de verdade entre cliente e advogado sem expor o trabalho do processo que foi conversado entre eles para as mídias.

Sobre o caso

Em junho deste ano uma adolescente publicou um vídeo nas redes sociais falando sobre o abuso que teria ocorrido no dia 6 de janeiro de 2021. De acordo com a jovem, o pastor a beijou, quando ela esteve no escritório dele pedindo conselhos sobre seu casamento, que estava em crise. A ocorrência foi registrada por ela no dia 26 de março deste ano.

A adolescente afirmou que teve medo dos julgamentos dos outros integrantes da igreja e só teve coragem de denunciar os abusos três meses depois do ocorrido, quando soube que outras mulheres tinham passado pelo mesmo que ela.

O relato da menor de idade é semelhante ao das outras três mulheres que se denunciaram o pastor por crimes sexuais, no que se refere ao momento de fragilidade em que os abusos foram cometidas. As supostas vítimas afirmam ainda que, após serem abusadas, foram chantageadas para não levarem o caso às autoridades.

As supostas vítimas com idade entre 37 e 46 anos registraram denúncia na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), mas, em razão do tempo decorrido até o registro, não foi dado prosseguimento às investigações, pois os casos já haviam sido prescritos.

O caso está sendo investigado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público.

O depoimento do advogado do religioso está disponível neste link: https://www.apalavraoriginal.org.br/20210711.html

Fonte: Mais Goiás