Um grupo de religiosos de matrizes africanas foi até a 71ª DP (Itaboraí), nesta sexta-feira 20, registrar um boletim de ocorrência contra o pastor evangélico Felippe Valadão, após falas consideradas de intolerância religiosa durante um evento oficial da Prefeitura de Itaboraí, na noite de quinta-feira (19).
A delegacia os orientou também a registrar o caso na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi).
O pastor, líder da Igreja Batista da Lagoinha de Niterói, foi convidado pela prefeitura para abrir uma série de shows que acontecem na cidade em comemoração aos 189 anos do município.
O evento contou com apresentações e com uma pregação do pastor da igreja Lagoinha, em Niterói, que usou o termo “endemoniados” para se referir aos pais de santo e disse que os terreiros de umbanda do município iriam fechar.
“Avisa aí para esses endemoniados de Itaboraí que o tempo da bagunça espiritual acabou. A igreja está na rua! A igreja está de pé! Pode matar galinha, pode fazer farofa, pode fazer o que quiser. E ainda digo mais: prepara para ver muito centro de umbanda fechado na cidade (…) Deus vai começar a salvar esses pais de santo que tem aqui na cidade”, disse o pastor durante a explanação.
Deputado aciona Ministério Público
O deputado Átila Nunes (MDB), relator da CPI da Intolerância Religiosa, na Alerj, vai acionar o Ministério Público para investigar o uso de dinheiro público de Itaboraí para financiar o evento no qual o pastor evangélico Felippe Valadão fez ofensas de caráter racista religioso contra líderes espirituais da região.
De acordo com o deputado Átila Nunes (MDB), o Ministério Público e a Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) devem investigar o caso, por contar com apoio da Prefeitura de Itaboraí, e punir os responsáveis.
“O ódio religioso promovido e financiado por Itaboraí precisa ser investigado. Preparamos uma representação ao Ministério Público contra o autointitulado pastor e contra o prefeito de Itaboraí, que patrocinou o show de horrores com dinheiro público. Também vamos pedir que a Decradi entre no caso para que ameaças contra a liberdade de toda a diversidade não sejam banalizadas. Não vamos permitir que a violência volte a silenciar os cultos afro-brasileiros no Rio”, relata o deputado.
Vice-presidente da Comissão de Combate às Discriminações e Preconceitos de Raça, Cor, Etnia, Religião e Procedência Nacional da Alerj, a deputada estadual Mônica Francisco propôs ao colegiado o envio de um ofício à prefeitura de Itaboraí, para que deem explicações sobre as declarações do pastor. O documento foi enviado nesta sexta-feira (20).
“Essa atitude nos causa muita tristeza e indignação. Desejo que a gente não venha mais a tolerar esse tipo de postura por parte de quem quer que seja. A narrativa bíblica não orienta a violência contra quem quer que seja, muito pelo contrário. Na própria orientação da figura histórica de Jesus, enquanto profeta e mestre, ele dizia que era necessário amar ao próximo como a si mesmo e que não devemos fazer diferenças entre as pessoas”, diz Mônica, que também é pastora evangélica.
Fonte: Extra e Meia Hora