O pastor Edson Araújo, da igreja Deus é Amor, em São Paulo, foi flagrado agredindo sua esposa durante uma transmissão ao vivo
O pastor Edson Araújo, da igreja Deus é Amor, em São Paulo, foi flagrado agredindo sua esposa durante uma transmissão ao vivo

O pastor Edson Araújo, da igreja Deus é Amor, em São Paulo, que foi flagrado agredindo sua esposa durante uma transmissão ao vivo no Facebook, gravou um vídeo reconhecendo o erro e pedindo perdão.

O pastor costuma fazer lives religiosas, com leituras da bíblia e profecias que normalmente atraem um número razoável de pessoas.

No vídeo, que está sendo altamente divulgado nas redes sociais, o pastor Araújo está sentando se preparando para uma pregação quando levanta para ajeitar a posição do equipamento que faria a filmagem. Um barulho de tapa é ouvido por trás da câmera e o equipamento se mexe.

“Que saco, merda. Arruma as coisas direito, imbecil. Arruma o negócio direito”, diz o pastor em questão.

Araújo retorna ao assento enquanto xinga a mulher, Debora, com quem realiza as transmissões na internet.

Após se sentar e respirar fundo, ele se dirige à câmera, já iniciando a pregação: “Aceitem a paz do senhor”.

Veja o vídeo da agressão:

A transmissão ocorreu na noite de segunda-feira (14). Diante da repercussão negativa, Araújo apagou o vídeo e publicou outro, no dia seguinte, explicando o ocorrido e pedindo perdão.

No vídeo em que gravou ao lado da esposa, o pastor pede perdão a ela pelo que fez, se desculpa com seus familiares e também pede perdão ao seu pastor e aos internautas.

“Ontem nós estávamos em cima do horário de fazer o culto, e nós não tínhamos uma posição correta do equipamento, então eu simplesmente me levantei e fui tentar arrumar, e ai acabou derrubando outro aparelho de celular que faz a transmissão de hinos. Então, eu ali, de uma forma imprudente, de um forma incorreta que não poderia agir daquela forma, eu direcionei uma palavra, nunca tivemos nenhum tipo de problema, então por um momento eu direcionei uma palavra imprudente para minha esposa”, disse o pastor justificando a agressão verbal.

Durante a explicação de Araújo, Debora permaneceu calada e de cabeça baixa. O pastor afirmou que os dois são casados há quatro anos e nunca tiveram problemas. Ele também pediu perdão à comunidade e repetiu se tratar de uma conduta que não condiz ao que ele representa.

Após a fala de Araújo, foi a vez de Debora conceder explicações às câmeras. Ela agradeceu mensagens de apoio que recebeu e afirmou que “o inimigo luta de várias maneiras para nos derrubar e muitas vezes a gente não vigia”.

“Como ele havia falado, não vigiou. Creio que não foi do fundo do seu coração”, disse Debora.

Debora acrescentou que o marido nunca a tratou mal. Na tarde deste sábado, no entanto, o pastor retirou o seu perfil no Facebook do ar.

Procurada para se manifestar sobre o caso, a Igreja Pentecostal Deus é Amor não se manifestou sobre o ocorrido até a publicação deste texto.

Veja o vídeo onde o pastor pede perdão:

Pastor pode ser preso

De acordo com o site Fuxico Gospel, o Ministério Público do Estado de São Paulo recebeu várias denúncias contra o pastor Edson Araújo, da Igreja Deus é Amor, depois que o vídeo da agressão viralizou nas redes sociais.

O pastor pode ser enquadrado na Lei Maria da Penha, e mesmo que no vídeo não mostre claramente que ele bateu na esposa, ele pode ser enquadrado por lesão corporal, uma vez que há um entendimento sobre a Lei Maria da Penha, que assemelha a violência psicológica com a lesão corporal, por afetar diretamente o corpo da vítima, causando doenças e danos irreversíveis, diz o site.

“Art. 7º São formas de violência doméstica e familiar contra a mulher, entre outras:

II – a violência psicológica, entendida como qualquer conduta que lhe cause dano emocional e diminuição da autoestima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto, chantagem, violação de sua intimidade, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação; (Redação dada pela Lei nº 13.772, de 2018)”

Fonte: Fuxico Gospel e UOL