Sociedades menos religiosas tendem, hoje, a ser mais saudáveis, mais morais, mais igualitárias e mais livres, e as nações menos religiosas tendem a ser mais corruptas, pobres, dominadas pelo crime e caóticas, diz pesquisa.

A constatação é do sociólogo Phil Zuckerman, professor do Pitzer College, em Claremont, no sul da Califórnia, que morou 14 meses na Escandinávia, em 2005 e 2006, e entrevistou, em profundidade, 149 dinamarqueses e suecos de todas as classes sociais.

Zuckerman tinha por objetivo descobrir como esses dois países – Dinamarca e Suécia, aquele no topo de pesquisas internacionais que se referem à felicidade – considerados os menos religiosos do mundo, têm os mais altos índices de qualidade de vida, com economias fortes, baixas taxas de criminalidade, alto padrão de vida e igualdade social.

O resultado da pesquisa foi apresentado em livro, recém lançado, “Society without God – What the Least Religious Nations can tell us about Contentment (Sociedades sem Deus – O que as nações menos religiosas podem nos dizer a respeito da satisfação).

“Eu quis mostrar aos meus conterrâneos norte-americanos que é possível que uma sociedade seja relativamente irreligiosa e, ainda assim, forte, saudável, moral e próspera”, explicou Zuckerman em entrevista exclusiva ao Instituto Humanitas (IHU), da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos).

O sociólogo entende que a Dinamarca e a Suécia “provam que é possível que as sociedades sejam relativamente não-religiosas e ainda assim muito honestas e boas. Zuckerman lembrou que para a maioria dos norte-americanos qualquer sociedade que deixa de louvar a Deus ou de colocá-lo no centro de sua cultura será condenada.

Poucos dinamarqueses e suecos, embora dizem crer em Deus, oram a Deus ou acreditam que o Deus literal da Bíblia é real. Eles apresentam os menores índices de crença na vida após a morte, na ressurreição de Jesus, no céu e no inferno, e têm os menores índices de participação semanal na igreja. “Dinamarqueses e suecos são, de fato, muito seculares”, enfatizou o sociólogo ao IHU.

Os valores humanos numa sociedade irreligiosa como a da Escandinávia estão baseados na vida humana. “Os dinamarqueses e suecos têm um respeito muito forte pela dignidade humana”, afirmou o professor do Pitzer College. E acrescentou:

“Eles criaram sociedades com as menores taxas de pobreza do mundo, as menores taxas de crimes violentos do mundo e o melhor sistema de educação e saúde do mundo. Eles fizeram isso não como uma tentativa de agradar ou de alcançar Deus, mas porque vêem um valor manifesto na vida humana”, disse, destacando que “não é necessário acreditar em Deus para acreditar na justiça”.

Os dinamarqueses e suecos contam apenas com o seu próprio esforço, não com as orações a Deus, assinalou o sociólogo. Zuckerman frisou que não existe país sem problemas. Problemas existem na Dinamarca e na Suécia. Independente de quais seja esses problemas “diria que eles comumente são piores em qualquer outro lugar”.

Zuckerman destacou que não quer, com isso, propor uma sociedade ateísta. “Eu acho que a religião pode ser uma coisa boa e moral. Eu acho que a religião oferece histórias e rituais maravilhosos, que os líderes religiosos ajudam as pessoas durante tempos difíceis ou nos ritos de passagem e que a religião, como qualquer criação humana, pode, às vezes, ser uma força potencial do bem no mundo”, arrolou.

Com sua pesquisa, o sociólogo estadunidense quis mostrar que o secularismo não é um mal em si mesmo e que a religião não é o único caminho para se criar uma sociedade saudável.

Fonte: ALC

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