A titular da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) de Niterói, Marta Domingues, encerrou nesta sexta-feira o inquérito que investigava o padre Emílson Soares Corrêa e o indiciou pelo duplo estupro de vulneráveis: duas irmãs.

O pai das jovens também foi indiciado por tentativa de extorsão. O caso segue segunda-feira para o Ministério Público, que poderá oferecer ou não denúncia à Justiça.

O arcebispo da Diocese, dom José Francisco Rezende Dias, e o vigário geral Carmine Pascalle, foram ouvidos nesta sexta-feira e confirmaram a tentativa de extorsão por parte da família.

“Eles não falam diretamente em valores, mas acontece uma pressão muito grande da família que pode sugerir o crime, por isso indiciei”, explicou Marta, que ouviu os religiosos na sede da Arquidiocese.

Nem o Disque-Denúncia (2253-1177), nem a delegacia registraram novas queixas contra o padre.

Segundo a delegada, a família das jovens estava muito assustada por causa da possível soltura do marido da filha mais velha, X. de 19 anos. Preso por homicídio, ele teria mandado recados que poderia se vingar de X, da família dela e até mesmo o padre Emílson teria sido ameaçado por ele.

“Eles estavam muito exaltados e isso contribuiu para que os religiosos se sentissem intimidados. O arcebispo explicou, porém, que além de afastar o padre, nada mais poderia fazer”, disse Marta.

Emílson deverá ser excomungado pela Igreja. O processo contra ele já corre no tribunal eclesiástico e a Arquidiocese não dá mais amparo jurídico a a ele. Ainda segundo os religiosos que depuseram nesta sexta-feira, tratamento psicológico das meninas foi oferecido aos familiares no dia da denúncia.

Sobre os gastos que padre Emílson tinha com X. – que teria ganho carro , moto e joias – o arcebispo de Niterói disse que não estranharia se padre Emílson tivesse acumulado dinheiro, pois com 27 anos de ordem e recebendo cerca de três salários mínimos por mês, o padre, assim como todos, segundo Dom José, não tinha gastos como uma pessoa leiga.

“Ele explicou que um padre não gasta com casa, comida, saúde, enfim, quase não tem despesas, que são integralmente bancadas pela Igreja”, detalhou Marta Dominguez.

[b]Fonte: O DIA[/b]