Cerca de cem professores e grupos de alunos da Universidade La Sapienza, de Roma, chamaram ontem o papa Bento XVI de “obscurantista” e pediram que não compareça à inauguração do ano acadêmico, no dia 17.
Entre suas objeções, indicam que o papa considera justo o processo da Igreja contra Galileu, é o “artífice” do atraso cultural, apóia dogmas anacrônicos, ataca o pensamento livre e só considera ética a heterossexualidade.
Aqueles que se opõem à visita de Bento XVI penduraram em alguns edifícios da cidade universitária cartazes nos quais pode ser lido “Fora Ratzinger da Universidade” e outros grupos, como o Coletivo de Física, convocaram para amanhã “a semana anticlerical”.
Os estudantes do coletivo “Ação Universitária”, contrários à oposição, pediram que todos recebam o pontífice com entusiasmo.
A classe política italiana também se dividiu. Enquanto o ministro da Justiça, o democrata-cristão Clemente Mastella, disse que “a estupidez não tem limites”, o dirigente socialista e aliado da coalizão no poder Enrico Boselli afirmou que é legítimo opôr-se ao papa.
O senador do Partido Democrata – o mais importante da coalizão – Giorgio Tonini expressou sua indignação com o pedido dos acadêmicos, pois, em sua opinião, “Bento XVI é uma das mentes mais estimadas da Europa”.
O vice-presidente do Senado, Mario Baccini, disse que o laicismo de alguns docentes está “fora de moda”, e o deputado direitista Maurizio Gasparri considera o protesto “uma vergonha” e ressaltou que apresentará uma queixa contra os professores envolvidos.
A visita de Bento XVI à Universidade de Roma coincide com o 705° aniversário da La Sapienza, e é previsto que estejam presentes o ministro de Universidades, Fabio Mussi, e o prefeito de Roma, Walter Veltroni, ambos ex-comunistas.
O cardeal polonês Zenon Gracholewski, representante regional da Congregação para a Educação Católica, também entrou na polêmica, afirmando se tratar de “uma incrível ação de ostracismo”.
Os opositores acusam o papa de ter considerado legítimo o processo contra Galileu durante um discurso em 1990 na Universidade de Parma (norte da Itália).
O cardeal Grocholewski, no entanto, disse hoje que suas palavras foram tiradas de contexto e que o pontífice, já naquele tempo, estava revisando, junto com João Paulo II, o processo contra Galileu, que concluiu em 1992 com o cancelamento da condenação eclesiástica.
Fonte: EFE
