Um badalado professor de ioga de São Paulo está sob suspeita. Ele realizou um suposto ritual de purificação que acabou levando 12 discípulos ao hospital.

Cristóvão de Oliveira é um conhecido professor de ioga. Entre seus alunos, estão várias celebridades. Para muita gente, ele é mais do que um professor, é um guru, um guia espiritual.

“É o melhor tipo de condicionamento físico que a gente já viu. Te condiciona a ir além da exaustão”, elogia.

Cristóvão ficou conhecido por dar aulas extremamente intensas, que exigem esforço físico máximo dos alunos. Recentemente, ele criou um novo serviço: um retiro de um mês de duração, ao preço de R$ 3 mil.

O retiro funciona em uma casa dentro de um condomínio fechado na Serra da Cantareira, na Grande São Paulo. Durante todo o mês de novembro, freqüentadores foram convidados a participar de uma vivência, repetindo o que se faz em centros na Índia: praticar ioga, meditar e participar de rituais de purificação, que não terminaram bem para algumas pessoas.

Doze alunos passaram mal e foram medicados no hospital. Dois ficaram internados. Um deles entrou em coma e permaneceu quatro dias na UTI.

“Alguém me descreveu tê-la visto em convulsão, numa maca no ambulatório, antes de ser encaminhada para a UTI, inconsciente”, disse um parente de uma das vítimas.

Segundo outra pessoa, “eles acham que estão vivendo num ambiente de paz e de amor, fazendo meditação, mas, na verdade, é o lugar mais intranqüilo que existe, porque se você pensar que acabou na UTI, acabou em coma”.

Segundo o hospital, as pessoas passaram mal porque tomaram água em excesso.

“À medida que você toma absurdamente água, quer dizer quantidades acima de dez litros por dia, você tem uma diluição do sódio do corpo e isso, em última instância, vai começar a inchar as células do cérebro, inchar o cérebro, e isso em grau extremo pode levar a convulsões, a coma e até a morte”, disse o médico Arnaldo Lichtenstein.

Além de água, suspeita-se que os alunos de Cristóvão de Oliveira tenham tomado também chá de sene, uma planta de efeitos laxantes. A polícia apreendeu o chá no local do retiro e mandou para exame.

Por enquanto, o inquérito da polícia apura apenas se o professor Cristóvão cometeu “periclitação da vida”, ou seja, colocou a vida de seus alunos em perigo. O inquérito foi aberto a pedido do hospital, pois ninguém prestou depoimento contra o guru.

“Todas as vítimas que aqui compareceram estão satisfeitas com o tratamento, defendem o Cristóvão”, afirma o delegado Antonio José Pereira.

O pai de uma das hospitalizadas procurou um advogado. “Eu fui procurado por um pai desesperado, que tem uma filha que freqüenta esse local já há algum tempo”, diz o advogado Ismar Marcílio de Freitas.

Fonte: G1