Em vídeo, Marco Feliciano diz: ‘Profetizo o sepultamento dos pais de santo’. O pastor e deputado afirma que o vídeo tem mais de 10 anos e que tem dúvidas sobre o conteúdo das frases.

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de inquérito para apurar se o deputado Marco Feliciano (PSC-SP) cometeu o crime de preconceito de religião ao falar que profetizava “o sepultamento dos pais de santo” e o “fechamento de terreiros de macumba”.

Em decisão assinada na sexta-feira (21), o ministro determinou que a Polícia Federal (PF) ouça o depoimento de Feliciano em 30 dias. O G1 tentou contato com a defesa e com a assessoria do parlamentar paulista, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.

“Conforme requerido pelo procurador-geral da República, encaminhem-se os autos à Corregedoria da Polícia Federal para a oitiva do parlamentar no prazo de 30 dias”, afirma o ministro.

Ex-presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, Feliciano acumulou polêmicas na presidência do órgão devido a posições consideradas homofóbicas e racistas por entidades de defesa das minorias. Como ele tem foro privilegiado, só pode ser investigado em inquérito comandado pela Procuradoria Geral da República e autorizado pelo Supremo.

Segundo o pedido de abertura de inquérito feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, um vídeo disponível no Youtube mostra o deputado afirmando: “Eu profetizo a falência do reino das trevas! Profetizo o sepultamento dos pais de santo! Profetizo o fechamento de terreiros de macumba! Profetizo a glória do senhor na terra!”

Para Janot, houve o cometimento do crime previsto no artigo 20 da lei do racismo, que criminaliza “praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. A punição prevista é de um a três anos de prisão e multa.

A Procuradoria Geral da República informou ao Supremo ter recebido duas representações contra o deputado do PSC, uma do MP de São Paulo e outra do MP do Distrito Federal, além de um pedido de apuração da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir).

Rodrigo Janot disse ainda que não é possível verificar, pelo vídeo, qual a data da declaração de Feliciano.

[b]Marco Feliciano responde acusação[/b]

Após a abertura de inquérito autorizado pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF) contra o deputado federal, pastor Marco Feliciano (PSC-SP), por suposto crime de preconceito religioso. Feliciano usou sua conta no Twitter para explicar o episódio.

O parlamentar afirma que o vídeo tem mais de 10 anos e que tem dúvidas sobre o conteúdo das frases, além de afirmar que não há sincronia entre as imagens apresentadas pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e a fala.

O parlamentar sugere uma edição do vídeo para tentar dar base às acusações. “Li agora sobre a decisão do STF em abrir inquérito para apurar uma frase supostamente dita por mim em um vídeo. Recebi o vídeo e o assisti. O vídeo tem mais de 10 anos. O som não está em sincronia com a imagem, e tenho dúvidas sobre o conteúdo das frases”, disse através do microblog.

Marco Feliciano também afirma que os responsáveis pela denúncia estão furiosos por conta de um projeto que tramita na Câmara de autoria do parlamentar que proíbe o uso de animais em sacrifícios religiosos.

“É meu o projeto de lei que proíbe o uso de animais em sacrifícios religiosos. Já fui ameaçado por seitas de feitiçaria várias vezes”, disse Feliciano.

No vídeo publicado no YouTube o pastor Marco Feliciano está ministrando e fala: “Eu profetizo a falência do reino das trevas! Profetizo o sepultamento dos pais de santo! Profetizo o fechamento de terreiros de macumba! Profetizo a glória do senhor na terra!”.

O ministro determinou que a Polícia Federal (PF) ouça o depoimento de Feliciano em 30 dias. “Conforme requerido pelo procurador-geral da República, encaminhem-se os autos à Corregedoria da Polícia Federal para a oitiva do parlamentar no prazo de 30 dias”, afirma.

[b]Fonte: G1 e Gospel Prime[/b]