Relator especial sobre a situação dos direitos humanos na Coreia do Norte, Tomas Ojea Quintana, fala durante uma coletiva de imprensa em Seul, Coreia do Sul, em 11 de janeiro de 2019.
Relator especial sobre a situação dos direitos humanos na Coreia do Norte, Tomas Ojea Quintana, fala durante uma coletiva de imprensa em Seul, Coreia do Sul, em 11 de janeiro de 2019.

Apesar de mais de um ano de engajamento internacional e promessas de reformas econômicas pelos líderes da Coreia do Norte, a situação dos direitos humanos no país isolado continua péssima, disse uma autoridade de direitos humanos da ONU nesta sexta-feira.

Bloqueado pelo governo de visitar a Coreia do Norte, o relator especial da ONU para os direitos humanos na Coreia do Norte, Tomas Quintana, visitou a Coreia do Sul esta semana, como parte de uma investigação que será fornecida ao Conselho de Direitos Humanos da ONU em março.

Observando que o líder norte-coreano Kim Jong Un embarcou em um esforço para melhorar as condições de vida, concentrando-se no desenvolvimento econômico, Quintana disse que suas descobertas preliminares mostraram que esses esforços não se traduziram em melhorias na vida da maioria das pessoas.

“O fato é que, com todos os desenvolvimentos positivos que o mundo testemunhou no ano passado, é ainda mais lamentável que a realidade dos direitos humanos permaneça inalterada e continue a ser extremamente séria”, disse ele a repórteres durante coletiva de imprensa em Seul.

“Em todas as áreas relacionadas com o gozo dos direitos econômicos e sociais, incluindo saúde, habitação, educação, seguridade social, emprego, alimentos, água e saneamento, grande parte da população do país está sendo deixada para trás.”

A Coreia do Norte nega os abusos dos direitos humanos e diz que a questão é usada pela comunidade internacional como uma manobra política para isolá-la.

Os direitos humanos estavam notavelmente ausentes das negociações entre Kim e os líderes da Coreia do Sul e dos Estados Unidos no ano passado, sobre o programa de armas nucleares da Coreia do Norte.

Mas em dezembro, os Estados Unidos impuseram sanções a mais três autoridades norte-coreanas, incluindo um importante assessor de Kim, por graves abusos de direitos e censura.

O Ministério das Relações Exteriores da Coreia do Norte alertou, em comunicado após as sanções de dezembro serem anunciadas, que as medidas poderiam levar a um retorno à “trocas de fogo” e o desarmamento da Coreia do Norte poderia ser bloqueado para sempre.

Embora notasse que não tinha “informações específicas” sobre se as sanções internacionais estavam prejudicando os norte-coreanos comuns, Quintana disse que as sanções visavam a economia como um todo e “levantaram dúvidas” sobre o possível impacto no público.

Ele citou uma referência de Kim em sua mensagem de Ano Novo à necessidade de melhorar os padrões de vida, dizendo que era um raro reconhecimento das dificuldades econômicas e sociais enfrentadas por muitos norte-coreanos.

Ainda assim, a ONU confirmou o uso continuado de campos de prisão política que abrigam “milhares” de detentos, disse Quintana, citando uma fonte dizendo que “todo o país é uma prisão”.

Ele disse que testemunhas que recentemente deixaram a Coreia do Norte relataram que enfrentam discriminação generalizada, exploração trabalhista e corrupção na vida diária.

Há também um “padrão contínuo de maus-tratos e tortura” de desertores que escaparam para a China e foram devolvidos à Coreia do Norte pelas autoridades chinesas, disse Quintana.

Fonte: The Christian Today