O ex-primeiro-ministro do Reino Unido Tony Blair, atual enviado especial para o Oriente Médio do Quarteto de Madri (Estados Unidos, União Européia, ONU e Rússia), se converteu ao catolicismo, a mesma religião de sua esposa, Cherie, e de seus filhos.

Blair, conhecido por suas fortes crenças religiosas, abandonou o anglicanismo e foi recebido em sua nova fé pelo presidente da Conferência dos Bispos da Inglaterra e do País de Gales, o cardeal Cormac Murphy-O’Connor, em missa celebrada na noite da última sexta-feira, na capela da residência oficial do religioso.

Murphy-O’Connor, que também é arcebispo de Westminster, disse em comunicado estar “muito contente por dar a Tony Blair as boas-vindas à Igreja Católica”.

Ainda de acordo com o mesmo comunicado, o cardeal disse que, durante muito tempo, Blair assistiu “à missa com sua família como um fiel”, e que o ex-primeiro-ministro participou nos últimos meses de “um programa de formação” a fim de se preparar para este momento.

Blair, que foi substituído na chefia do Governo britânico em junho por Gordon Brown, recebeu a preparação doutrinal e espiritual do monsenhor Mark O’Toole, secretário pessoal de Murphy-O’Connor.

O desejo de Blair de se converter ao catolicismo foi um “segredo” escondido durante anos, alvo de especulações toda vez que o ex-primeiro-ministro comparecia a missas católicas junto com sua
família.

Segundo a imprensa britânica, a conversão de Blair não ocorreu durante os dez anos em que ocupou o cargo de primeiro-ministro porque isso provavelmente criaria um conflito com a Igreja Anglicana, já que é o chefe de Governo quem elege os bispos desta religião.

Embora a lei do Reino Unido não proíba que um primeiro-ministro seja católico, o cargo nunca foi ocupado por um político dessa religião.

Apenas o rei ou a rainha da Inglaterra, como chefes da Igreja Anglicana, e seus cônjuges não podem ser católicos em virtude de uma lei aprovada após a chamada Revolução Gloriosa, que derrubou o último rei católico do país, James II, em 1688.

Os rumores e conjecturas sobre a conversão de Blair ao catolicismo aumentaram muito no final de seu mandato e marcaram sua reunião com o Papa Bento XVI em junho passado, poucos dias antes de deixar o poder.

Segundo a imprensa britânica, Blair via nessa visita uma oportunidade perfeita para fazer esse anúncio histórico, mas foi dissuadido pelo cardeal Murphy-O’Connor, que o acompanhou ao Vaticano.

Segundo uma edição de novembro do jornal “The Sunday Telegraph”, Murphy-O’Connor convenceu Blair de que seria pouco sensato aproveitar uma ocasião de tanta repercussão internacional para anunciar algo tão privado, e recomendou a ele para que esperasse o fim de seu mandato como chefe de Governo do Reino Unido.

O ex-primeiro-ministro, reticente a falar de suas crenças durante o tempo em que ocupou este cargo, admitiu em um programa transmitido recentemente pela emissora de televisão “BBC” que tem “uma profunda fé religiosa” que lhe deu forças durante seus anos no poder.

A decisão de Blair foi recebida hoje com mal-estar por alguns grupos católicos, que lembraram que seus Governos aprovaram políticas opostas aos princípios da Igreja Católica, como as pesquisas com células-tronco e o direito dos homossexuais à adoção de crianças.

Além disso, durante seu período à frente do Governo, o ex-primeiro-ministro não restringiu as leis sobre aborto no Reino Unido e decidiu atacar o Iraque, em um claro desafio à postura do
Vaticano.

Tanto o porta-voz oficial de Blair quanto o de Downing Street, residência oficial do primeiro-ministro do Reino Unido, se recusaram a fazer declarações a respeito da conversão por considerarem que se trata de um assunto privado.

A imprensa britânica destacou hoje que o anúncio da esperada conversão de Blair ao catolicismo foi divulgado no mesmo dia em que uma carta sua ao ex-procurador-geral do Reino Unido, na qual expressava sua preocupação com uma investigação sobre as relações entre a British Aerospace Systems e a Arábia Saudita.

A carta é de alguns dias antes de a investigação ter sido suspensa pelo Governo de Blair, uma das últimas decisões do ex-primeiro-ministro e uma das que mais gerou críticas.

Vaticano expressa “alegria e respeito”

O porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, expressou hoje a “alegria e o respeito” da Santa Sé pela conversão ao catolicismo do ex-primeiro-ministro do Reino Unido Tony Blair, atual enviado especial para o Oriente Médio do Quarteto de Madri.

“A decisão de participar da Igreja Católica, tomada por uma personalidade tão importante, só pode suscitar alegria e respeito”, disse Lombardi.

O porta-voz vaticano acrescentou que “os católicos estão muito contentes em acolher em sua comunidade todos aqueles que, através de um caminho sério e de reflexão, se convertem ao catolicismo”, e assegurou que a decisão de Blair chegou “após um profundo caminho de fé e busca”.

Blair abandonou o anglicanismo e se converteu ao catolicismo, religião de sua esposa Cherie. A cerimônia de conversão do ex-primeiro-ministro foi comandada pelo próprio primaz católico de Inglaterra e Gales, o cardeal Cormac Murphy-O’Connor, na noite da última sexta-feira, em Londres.

Fonte: EFE