O tribunal vai coletar provas de denúncias que envolvam padres no estado. Casos de nulidade matrimonial também são julgados pelo Tribunal Canônico.

Apurar delitos e denúncias contra padres, estabelecer regras de conduta aos fiéis e julgar pedidos de separação de casais são algumas das funções atribuídas ao Tribunal Eclesiástico, instalado no início do mês em Mato Grosso. De acordo com o presidente do Tribunal, padre Luis Izidóro Molento, de cada 10 casos que chegam a esta instância, nove estão relacionados a problemas no casamento, os quais se encaixam declaração de nulidade matrimonial, além de reunir depoimentos e provas em casos de padres suspeitos de atitudes que não condizem com o sacerdócio.

O padre explica que, antes, os casos eram avaliados pelo Tribunal Eclesiástico de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul. Porém, com a nova sede em Cuiabá, a conduta dos sacerdotes será avaliada no estado e, segundo ele, o órgão poderá julgar apenas causas judiciais que não estejam reservadas ao Papa.
Escândalos
Alguns escândalos envolvendo padres de Mato Grosso vieram à tona recentemente, como o caso do padre Dominik J. Czerwinski, ex-líder da paróquia de Peixoto de Azevedo, a 692 km de Cuiabá, que teria aparecido na web em foto seminu e de forma íntima com uma mulher.
Em uma nota divulgada por ele à imprensa, o próprio padre culpou os fiéis pelo fato. “Nós somos todos pecadores, e padre também. Portanto, é fácil cair quando a comunidade não reza por padre”, consta trecho da nota.
Outro caso polêmico foi em relação ao frei Erivam Messias da Silva, que foi preso após sair do motel com uma jovem de 16 anos, no dia 31 de janeiro deste ano. Ele conseguiu a liberdade na justiça e chegou a declarar que era apaixonado pela adolescente e que iria abandonar o sacerdócio.

Mas, segundo o presidente do Tribunal, as denúncias relacionadas com as autoridades eclesiásticas não cabem à instituição julgar, pois o Vaticano já teria essa incumbência, nesses casos. Contudo, conforme o padre, o tribunal é responsável por apurar as denúncias e encaminhar ao bispo, que enviará ao Vaticano todos os documentos reunidos, o que antes era feito em Mato Grosso do Sul.

Ainda de acordo com o religioso, os padres denunciados e as pessoas supostamente agredidas ou abusadas devem ser ouvidos no local onde foram feitas as denúncias. “O que cabe ao bispo é realizar uma investigação prévia. Caso seja constatado o delito, o caso é encaminhado para o Vaticano, de onde sairão as orientações”, afirmou o líder religioso.

[b]Especialistas[/b]

A socióloga Maildes Sampaio acredita que o tribunal chegou tardiamente no estado e que o correto seria toda capital ter uma jurisdição deste tipo. “O tribunal atende ao anseio da população, pois além de fazer linha de frente aos casos de denúncias relativas a padres, irá ajudar os fiéis em casos, por exemplo, como o de separação”, ressalta a estudiosa.

Em relação às últimas denúncias envolvendo padres, ela acredita que se já houvesse um tribunal no estado na época das denúncias, a igreja poderia ter colaborado nas investigações.

[b]Composição[/b]

Além do vigário, o tribunal é composto por juízes diocesanos que podem ser sacerdotes, diáconos e leigos, os quais formam turnos ou colégios de três a cinco juízes, conforme o grau de importância da causa; um presidente; um juiz auditor; um relator; um promotor de justiça; defensor do vínculo; notário e advogados. Além de peritos que vão fazer uma avaliação técnica de cada caso.

[b]Fonte: G1[/b]