Sociedade Bíblica Ucraniana
Sociedade Bíblica Ucraniana

A demanda por Bíblias mais do que dobrou na Ucrânia desde a invasão da Rússia, diz a Sociedade Bíblica Ucraniana, justificando esse crescimento na busca pelas pessoas por orientação ou proteção divina.

Esse foi o caso de Andriy e sua esposa Yana, que estavam na fila para comprar mantimentos quando se voltaram para Deus. O jovem casal estava procurando por comida em sua cidade natal, Mariupol, durante uma pausa no bombardeio russo quando foram surpreendidos por mais ataques de mísseis.

“As explosões ainda foram ouvidas, mas estavam distantes”, disse Yana, 33 anos. “Ficamos na enorme fila de cerca de 150 a 200 pessoas. Quando estávamos quase dentro, os mísseis começaram a cair cada vez mais perto. Um deles atingiu cerca de 10 metros de distância de nós. Felizmente, acertou atrás da curva – isso nos salvou.”

Eles contaram ao The Telegraph, que sentiram medo de deixar órfãos os dois filhos, que ficaram em casa em um abrigo antiaéreo, por isso eles correram para dentro da loja e começaram a orar.

“Aquele foi o momento em que nossa fé foi testada: eu estava orando por proteção o tempo todo. E esse foi o momento que nos empurrou para a fé”, disse Yana. “A verdadeira fé começou naquele momento em que vimos que Deus poupou a todos nós.”

A guerra e suas consequências estão levando centenas de milhares de ucranianos a se voltarem para a religião em busca de consolo. De acordo com a Sociedade Bíblica Ucraniana, o desejo das pessoas por Bíblias mais do que dobrou após a invasão em fevereiro.

Em 2020, a instituição distribuiu 136.767 Bíblias, mas nos primeiros nove meses deste ano esse número foi para 359.000. Os cristãos britânicos doaram cerca de 168.000 Bíblias, além de livros baseados nas Escrituras.

Viver cercado pela morte fez com que as pessoas fizessem perguntas sobre a vida, disse Anatoliy Raychynets, vice-secretário geral da Sociedade Bíblica Ucraniana.

“Acho que a Bíblia é um ponto de esperança para as pessoas que estão vivendo a guerra”, disse ele ao The Telegraph.

Andriy, de 37 anos, descreve como sua nova fé cresceu nos meses que se seguiram à sua fuga do supermercado. O eletricista, que sofre de uma forma rara de osteoporose, disse que era como se “Deus estivesse guiando-nos de novo e de novo”.

Quando receberam suas primeiras Bíblias no verão, Andriy e Yana passaram a amar a história do Antigo Testamento sobre o patriarca Abraão, a quem Deus prometeu abençoar como “pai de muitas nações”.

“Houve tantas situações em que Deus interveio e o ajudou. Ele não abandonou Seu povo”, explicou Andriy.

“Olhando para a nossa situação, é muito semelhante – éramos descrentes, digamos assim. Mas Ele ainda estava nos empurrando para o que era certo. Assim como com Abraão”, acrescentou.

A família vive atualmente em uma igreja em Lviv, tentando encontrar o melhor tratamento para a condição de Andriy.

“Parece que [Deus] esteve conosco desde Mariupol e nos conduziu pela mão, direto para esta igreja, para uma grande comunidade”, disse ele.

Entregando Bíblias

A história do casal é familiar para Raychynets e seus voluntários, que ziguezaguearam por estradas repletas de minas terrestres e tiveram os pneus de seus veículos furados enquanto entregavam Bíblias e ajuda humanitária a moradores de zonas de conflito ativo.

“Por um lado, temos o pão e, por outro lado, o pão espiritual”, disse ele.

“As pessoas costumam perguntar ‘se Deus ama o mundo, por que Ele permitiu que isso acontecesse?’ Muitos deles viram muito comportamento brutal dos russos, torturando outras pessoas, matando civis”, contou.

“Eu esperava que eles culpassem a Deus ou não quisessem receber Bíblias, mas é totalmente o contrário. Eles têm perguntas difíceis, mas querem estar perto de Deus”.

Durante os tempos mais difíceis da Ucrânia este ano, Raychynets disse ter visto pessoas escondidas em abrigos antiaéreos lendo a Bíblia juntas à luz de tochas ou velas.

“As pessoas sentem conforto, as pessoas choram quando as recebem. Tenho lido a Bíblia com soldados muitas vezes. Salmos, o Novo Testamento, onde Jesus está falando com os discípulos. Vi muitas lágrimas nos olhos dos soldados”, disse.

Raychynets conta que muitas pessoas que nunca pisaram em uma igreja ou abriram uma Bíblia agora encontram palavras com as quais podem se relacionar, como o Salmo 31 – uma passagem sobre sofrimento e refúgio em Deus.

“Tem misericórdia de mim, ó Senhor”, diz o Salmo, “porque estou angustiado; meus olhos enfraquecem de tristeza, minha alma e meu corpo de dor.”

“Minha vida é consumida pela angústia e meus anos pelo gemido; desfalecem-me as forças por causa da minha aflição, e os meus ossos enfraquecem”.

O ressurgimento da fé entre a população em dificuldades foi confirmado por sacerdotes na capital Kyiv. Vários deles disseram ao The Telegraph que as congregações não diminuíram apesar do êxodo de fiéis regulares no exterior.

Diácono do Mosteiro de Cúpula Dourada de São Miguel em Kyiv, o abade Lavrentiy disse que agora estava vendo pessoas de um tipo que nunca havia encontrado em 23 anos de serviço.

“Eles abordam precisamente essas questões espirituais: como lidar com tudo isso agora?”, ele disse, acrescentando que os novos participantes buscavam orientação ou proteção divina durante a guerra ou decidiram virar as costas para a Igreja Ortodoxa Russa após a invasão.

Pessoas que não eram crentes “perceberam que o poder humano não é suficiente para resolver problemas urgentes”, disse ele.

Fonte: Guia-me com informações de The Telegraph

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