O Vaticano confirmou a posição da Igreja católica em relação ao uso de preservativos contra a Aids, “não considerando que apostar essencialmente por uma ampla difusão dos preservativos seja realmente o melhor caminho”.

“A Igreja concentra o seu empenho não considerando que apostar essencialmente por uma ampla difusão dos preservativos seja realmente o melhor caminho, mais prudente e eficaz para combater o flagelo da Aids e guardar a vida humana”, diz o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, em uma nota que visa esclarecer a posição da Santa Sé em relação ao tema.

O padre divulgou o comunicado após a declaração do Papa sobre a Aids ter repercutido entre órgãos civis, imprensa e autoridades de diversos países.

Na terça-feira, a bordo do avião o levou para a África, o Pontífice afirmou que a Aids “é uma tragédia que não pode ser superada com o dinheiro e nem com a distribuição de preservativos, que podem aumentar os problemas”. Em Camarões para a primeira etapa de sua viagem, o Papa também defendeu que a doença só pode ser curada com uma renovação moral no comportamento humano.

Na nota, o Vaticano aponta três diretrizes principais da Igreja católica. A primeira seria a “educação e responsabilidade das pessoas no uso da sexualidade e a reafirmação do papel essencial do matrimônio e da família”.

A outra se refere às “pesquisas e aplicações de medicamentos eficientes contra a Aids por meio de iniciativas de instituições sanitárias” e o último ponto à “assistência humana e espiritual dos portadores da doença, como de todos os atingidos, que sempre estarão no coração da Igreja”.

“Estas são as diretrizes da Igreja” católica, afirma Lombardi.

Comentários do papa sobre camisinha são ‘ameaça’, diz França

A França condenou nesta quarta-feira as declarações do papa Bento 16 rejeitando o uso de preservativos na luta contra a Aids, qualificando-as como “uma ameaça”.

“Enquanto não cabe a nós julgar a doutrina da Igreja, consideramos que tais comentários são uma ameaça às políticas de saúde pública e a obrigação de proteger a vida humana”, disse o porta-voz do ministro das Relações Exteriores francês, Eric Chevalier.

O papa Bento 16 disse na terça-feira, em visita a Camarões, que o uso de preservativos pode agravar o problema da Aids.

Ele chamou a doença de “uma tragédia que não pode ser combatida apenas com dinheiro ou a distribuição de preservativos, os quais podem, inclusive, aumentar o problema.” Leia mais na BBC Brasil: Papa rejeita preservativos como solução para a Aids na África A solução, segundo Bento 16, se encontra “em um despertar espiritual e humano” e “amizade com os que sofrem”.

O pontífice defende a fidelidade e a abstinência como formas de combater a doença. No entanto, as declarações causaram espanto em alguns ativistas que dizem que o uso de preservativos é um dos únicos métodos comprovadamente eficazes de combate à doença.

“A oposição dele aos preservativos indica que dogmas religiosos são mais importantes para ele do que as vidas dos africanos”, afirma Rebecca Hodes, da ONG sul-africana de combate à Aids Treatment Action Campaign.

Se calcula que cerca de 22 milhões de pessoas são infectadas com o vírus do HIV na África ao sul do Deserto do Saara, segundo dados da ONU de 2007. O total representa dois terços de todos os infectados do mundo.

Fonte: Ansa e BBC Brasil