O vereador do PMDB Alex Dotti, 39, de Antônio Prado (RS), pediu da Tribuna a exoneração da assessora de imprensa Renata Helena Ghiggi por ela “não acreditar em Deus”.

Disse o Vereador em seu discurso:

“(…) me chamou a atenção a falta de fé da nossa Assessora de Imprensa, que faz questão de colocar nas redes sociais e falar aos quatros ventos, que Deus não existe. Não tenho nada contra ela, ela pensa o que ela quiser, só que pra mim ela é a voz da Câmara de Vereadores e acho que isso, numa cidade onde todos nós fomos eleitos com mais de 98% dos votos, a maioria tem uma religião e acredita em Deus, eu acredito que não pega bem e acho que é muito errado pronunciar-se contra Deus. Soube que foi tirado, no ano passado, o nosso crucifixo daqui por intervenção dela e não me meti, só que agora eu recebi muitas críticas sobre isso aí. Não sou contra religião nenhuma, quem não quiser acreditar, não acredita, mas eu acho que a Câmara de Vereadores é uma Câmara de Vereadores de fé, o povo de Antônio Prado é um povo de fé e o PT sempre se beneficiou com os padres, com a Igreja Católica. Até na nossa cidade o nosso vigário fez campanha aberta para o PT, então não acredito que possa existir agora alguém contratado pelo PT que seja contra Deus, que não acredite em Deus e divulgue isso para todo mundo. Acredito que está errado. Até no começo de todas as sessões o nosso presidente invoca a presença de Deus e no fim da sessão invoca a presença de Deus. Aí nós temos que pegar e a nossa voz aqui de dentro ‘não existe deus’. Nós vamos invocar a presença de quem aqui, Viali? Eu quero que isso fique na Mesa Diretora e que a Mesa Diretora pense no que está acontecendo. Eu peço a exoneração da Assessora de Imprensa e a troca urgente, por que a Câmara de Vereadores e a cidade de Antônio Prado é uma cidade de fé. É isso que eu penso e eu acredito que quem não acredita em Deus, pode não acreditar, mas não deve divulgar, representando uma entidade como a Câmara de Vereadores.”

Dotti cometeu o crime de discriminação religiosa. A ATEA (Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos) encaminhou representação ao Ministério Público para que sejam tomadas as medidas previstas em leis.

De acordo com a associação, a conduta criminosa do vereador está previsto no artigo 3º e 20º da lei 7.716/89, segundo os quais autoridade alguma pode impedir que a administração pública se recuse a admitir quem quer que seja com base em raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. A pena é de dois a cinco anos de reclusão.

Dotti negou a Ghiggi o direito da livre manifestação de pensamento, como se ela, mesmo em seu nome, só devesse manifestar o ponto de vista oficial da Câmara Municipal.

A cidade de Antônio Prado (RS) tem cerca de 13 mil habitantes e fica a 184 km de Porto Alegre. Em seu primeiro mandato, Dotti se elegeu com 355 votos. É representante comercial da Casa do Doce.

[b]Fonte: Paulopes e Blog do Thales Bouchaton[/b]