No dia 9 de junho uma multidão de extremistas muçulmanos atacou a Assembléia de Deus em Talegong com pedras e paus, danificando portas, telhado, janelas e a mobília da cozinha.

Eles também levaram embora uma Bíblia e o certificado de posse do terreno da igreja. A esposa do pastor foi ameaçada com uma machadinha.

Um oficial do governo chegou a tempo e evitou que a violência se espalhasse. Ninguém ficou ferido no ataque. No dia seguinte, um grupo com cerca de 300 pessoas exigiu que os membros da igreja deixassem o local.

“Testemunhas disseram que a multidão procurava pelo pastor Pastor Tata Budiman, que naquele momento estava longe de lá”, disse um cristão local da missão Gideon Eddy. “Foi bom não o terem encontrado”.

Teste de fé

O pastor Tata iniciou seu ministério em Talegong em 2003 e logo sua congregação chegou a 40 membros, todos ex-muçulmanos.

“Os moradores locais têm consciência disso, mas nunca protestaram, até porque eles ainda têm suas carteiras de identidade identificadas como muçulmanos”, disse ele.

Dois dias antes do ataque a polícia tinha feito contato com administradores locais para saber como os membros da igreja poderiam trocar o status religioso de suas identificações.

Por causa do clima de tensão a família do pastor Tata e outras dezenas de outras que pertencem à igreja se abrigaram em cidades próximas e ainda não voltaram para casa.

“Eu me submeto totalmente ao Senhor”, disse Tata ao Compass. “Estou grato porque nenhum membro da minha igreja se reconverteu ao islã, apesar da pressão”, disse ele.

Negar Jesus

No dia 3 de junho, 56 membros da Aliança Anti-Apostasia invadiram uma igreja doméstica em Soreang, West Java, durante a escola dominical. Eles exigiram que a igreja fechasse e que todas as atividades cristãs na área fossem encerradas.

“Eu estava longe, mas minha esposa Lidia estava em casa com muitos professores e crianças”, contou o reverendo Robby Elisa ao Compass. “Eles entraram no meu quarto e jogaram todos os meus livros no chão. Minha mulher foi golpeada duas vezes na cabeça, primeiro com a Bíblia e depois com um soco”.

Robby Elisa disse à agência de notícias Reuters, no dia 4 de junho, que “os homens forçaram um adolescente a cuspir na Bíblia e negar Jesus” e que ao se recusar o rapaz foi espancado na região do intestino.

Em 2005, quatro outras igrejas de Soreang in 2005 foram atacadas e forçadas a fechar, mas Robby se recusou a aceitar a ordem e a se mudar de lugar.

“Se nós somos cristãos e fizemos algo errado, por favor, nos mostre, mas sem violência”, disse o pastor ao Compass. “Nós temos direitos iguais perante a lei e precisamos que o governo reconheça nossos direitos de culto”.

“Os extremistas registraram uma queixa contra nós na Comissão Nacional de Direitos das Crianças e desde então nossas crianças ficaram traumatizadas com o incidente”, disse ele.

Perseguição contra a igreja doméstica

No dia 17 de junho, Robby recebeu uma carta anônima prometendo destruir sua casa e “todas as igrejas em funcionamento em residências particulares”.

O líder da Frente de Movimento das Mesquitas (FPM, sigla em inglês) Suryana Nur Fatwa, disse que as autoridades da Indonésia falharam no fechamento das igrejas clandestinas e por isso ele mesmo resolveria esse problema com suas próprias mãos.

Fonte: Portas Abertas