As autoridades da Índia declararam nesta sexta-feira estado de alerta nas principais cidades do país, depois que um atentado a bomba matou sete pessoas em uma movimentada mesquita de Hyderabad (sul) no momento em que milhares de fiéis rezavam.

O explosivo, “pouco sofisticado”, que estava escondido em uma marmita, segundo a Polícia, foi detonado com um telefone celular às 13h25 (4h55 de Brasília) na Mesquita Mecca de Hyderabad.

Em decorrência da explosão, sete pessoas morreram e outras 35 ficaram feridas.

Após chegar ao local do ataque, as forças de segurança encontraram outros dois dispositivos que não tinham explodido e desativaram as bombas.

“Parece se tratar de um ato terrorista”, disse o ministro de Interior indiano, Shivraj Patil.

Cerca de 10 mil pessoas rezavam na mesquita, em dia de oração, no momento da explosão. Os fiéis fugiram em pânico ao escutar o barulho da explosão, enquanto os feridos foram levados ao hospital Osmania para serem socorridos.

Posteriormente, a Polícia isolou a área, onde um Batalhão de Ação Rápida se posicionou para tentar conter, com materiais antidistúrbios, os protestos de centenas de devotos muçulmanos que atiravam pedras na direção das forças de segurança.

A Mesquita Mecca, além de ser um dos maiores e mais antigos centros islâmicos da Índia, é considerada sagrada pelos devotos desta religião em Hyderabad, capital do Estado de Andhra Pradesh, onde os muçulmanos representam 10% da população.

Apesar de a Polícia não ter fornecido ainda nenhum detalhe sobre a autoria do ataque, o atentado despertou os fantasmas dos conflitos religiosos que o país sofre de tempos em tempos.

Por isso, pouco depois da explosão, as autoridades se apressaram a declarar estado de alerta nas principais cidades indianas.

Em Mumbai (oeste), grupos de manifestantes apedrejaram vários ônibus, apesar de a Polícia local ter afirmado que a situação estava sob controle.

Na capital do país, Nova Délhi, as autoridades reforçaram a segurança nas instituições religiosas, nas estações de trem e de metrô, nos terminais de ônibus e nos centros comerciais.

“Foi declarado um nível de alerta alto por causa do que ocorreu na Mesquita Mecca. A Polícia se mantém em constante vigilância”, disse uma fonte policial de Calcutá (leste), citada pela agência indiana “PTI”.

As forças de segurança também não divulgaram nenhuma teoria sobre o motivo do ataque, mas a Índia já sofreu ações semelhantes no passado, como o atentado que ocorreu na localidade de Malegaon (oeste) em 8 de setembro de 2006.

Na ocasião, duas bombas colocadas próximas a uma mesquita, também em dia de oração, mataram 31 pessoas em uma localidade que já havia sofrido graves conflitos religiosos no passado.

Além disso, a explosão de ontem ocorreu no mesmo dia em que o tribunal especial encarregado de julgar os violentos ataques de Mumbai, de 14 anos atrás, começou a emitir as primeiras penas para os autores do crime.

O massacre de Mumbai, que deixou 257 mortos, aconteceu em 12 de março de 1993, quando 13 bombas explodiram simultaneamente em trens como suposta vingança de um grupo muçulmano pelas milhares de pessoas mortas por extremistas hindus nos tumultos que se seguiram à demolição de uma antiga mesquita.

Na falta de uma versão oficial, o governador de Andhra Pradesh, ES Rajshekhar Reddy, que visitava Nova Délhi, já viajou para Hyderabad.

“Nos últimos dois meses e meio, tínhamos recebido informações que alguns elementos anti-sociais estavam tentando romper a paz. Tomamos todas as medidas, mas, mesmo assim, estas coisas continuam ocorrendo”, disse Reddy à imprensa.

Também ontem, pelo menos 20 pessoas ficaram feridas na explosão de uma bomba em um movimentado mercado do estado de Assam, a segunda no mesmo local em apenas duas semanas, informou uma fonte oficial.

A bomba, colocada em uma bicicleta, explodiu às 11h30 (00h de Brasília), no mercado de Fancy Bazar na capital do estado, Guwahati, e causou também destruição em edifícios e vitrines.

Os feridos foram levados a um hospital próximo, informou o superintendente policial da cidade, S.N. Singh, em declarações citadas pela agência indiana “PTI”.

Após a explosão, os comerciantes começaram a jogar pedras nas forças de segurança, em protesto contra o que consideram ineficazes medidas de segurança no mercado, que já sofreu outra explosão em 6 de maio, que deixou 19 feridos.

A Polícia teve que usar material antidistúrbios para evitar que os protestos aumentassem.

Fonte: EFE