Texto preliminar da Campanha da Fraternidade de 2008 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil abordará temas bastante polêmicos como aborto, eutanásia e suicídio.

Com o lema “Escolhe, pois, a vida”, a Campanha da Fraternidade de 2008, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), tratará da defesa da vida humana em todos os seus aspectos, discutindo as diversas condições nas quais, de acordo com a Igreja, ela é violada – como no caso do aborto, das pesquisas com células-tronco embrionárias, técnicas de reprodução assistida, da extrema pobreza à qual crianças estão submetidas, da violência urbana, do suicídio e da morte cerebral.

Ontem, a Igreja deu início a uma semana de defesa da vida que culmina no dia 8 com o Dia do Nascituro. O objetivo é iniciar um movimento nas comunidades contra o aborto. Cada diocese terá uma programação própria, já num preparo para a campanha, lançada anualmente na Quarta-Feira de Cinzas.

Embora aborde temas bastante polêmicos e resuma a opinião já conhecida da Igreja sobre eles, o texto preliminar, ao qual o Estado teve acesso, evita discursos incisivos ou conclusões contundentes. A campanha trará uma reflexão sobre como proteger, segundo a Igreja, o ser humano da mudança de valores da sociedade, que preza o individualismo, a sexualidade livre, a pesquisa científica com seres humanos e, dentro de tudo isso, a relativização dos valores morais e religiosos.

As cerca de cem páginas trazem um apanhado e um resumo do pensamento católico sobre itens como afetividade, contracepção, pobreza, crescimento populacional, gravidez indesejada, infância e envelhecimento, reforçando o Documento de Aparecida, elaborado no início do ano por bispos da América Latina.

O texto da campanha está dividido em três partes. A primeira, intitulada Ver, fala sobre a cultura da vida e a cultura da morte, defendendo uma visão que aborda o ser humano como um todo, corpo e espírito, frente a um avanço da visão científica e dos desafios impostos pelo desenvolvimento da ciência. É nesse trecho que se pede cuidado com o abuso no exercício da sexualidade, da falta de amor nas relações entre homens e mulheres. Há também um alerta sobre os movimentos que pregam a legalização do aborto, as pesquisas que usam células-tronco embrionárias e técnicas de reprodução assistida.

A segunda parte, Julgar, afirma que Deus indica o caminho da vida. Nesse ponto, o documento afirma que “o grande desafio da humanidade é saber discernir entre os conhecimentos e as práticas que levam a uma plenitude da vida e os conhecimentos e as práticas que desviam deste caminho”.

A última parte, Agir, aborda a defesa da vida, pedindo que os fiéis se voltem para a caridade, busquem desenvolver a espiritualidade e atuem em suas comunidades, acolhendo pessoas em dificuldades, grávidas carentes e menores em situação de risco. É o chamado para que as pessoas trabalhem em suas pastorais. O texto também menciona a necessidade de uma atuação mais próxima dos meios de comunicação, criando-se espaços para debater os assuntos da campanha.

“Em nome de Jesus Cristo, a Igreja tem o compromisso e a autoridade para anunciar, para denunciar e para defender a vida em todas as suas manifestações”, conclui o texto.

Fonte: Estadão